Partidos tradicionais perdem na Colômbia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de março de 2002
José Luis Varela<br>France Presse 
BogotáOs partidos tradicionais colombianos sofreram domingo uma histórica derrota nas eleições legislativas nas mãos de movimentos independentes de direita e de esquerda, em uma votação que se realizou em relativa calma, apesar da difícil conjuntura de violência atravessada pelo país. O declive dos partidos tradicionais, o liberalismo (majoritário) e o conservadorismo (oficialista), se evidenciava nos cálculos da projeção do novo Senado, quando faltavam contar 5,7% dos votos: o liberalismo obtinha 30 cadeiras (contra 56 na eleição de 1998), enquanto que o conservadorismo obtinha 13 contra as 17 na eleição passada.
Este resultado significa que nem mesmo somando suas cadeiras os dois partidos que dominaram a política nacional desde o século XIX conseguiriam controlar a maioria simples da Câmara alta.
A primeira consequência deste fato foi a renúncia do presidente do Partido Conservador, Carlos Holguín, decepcionado com os resultados de sua agremiação.
Segundo os analistas, a abstenção ficará em torno dos 55%, frente aos 56,2% registrados em 1998.
As eleições apresentaram uma inédita preferência dos eleitores pelas opções mais distantes do centro.
O analista político Pedro Medellín assinalou que está se observando uma clara preferência dos cidadãos pelas opções distintas dos partidos.
As eleições para escolher 268 congressistas são celebradas apenas 18 dias depois que o governo colombiano e as FARC romperam um processo de paz que realizavam, o queprovocou o lançamento, pelo grupo rebelde, de uma ofensiva de violência que fez as autoridades temerem pela sorte do processo eleitoral.
Mas os incidentes que se registraram em vários pontos do país não ofuscaram o resultado eleitoral geral, segundo as autoridades civis e militares nacionais, e também segundo a missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo chefe, o argentino Santiago Murray, classificou a eleição de festa cívica.
Para o ministro do Interior colombiano, Armando Estrada, os colombianos derrotaram a guerrilha porque, apesar da sabotagem, foram às ruas para votar.
SequestradosNenhum dos candidatos ao Congresso, sequestrados recentemente pela guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), foi eleito nas eleições legislativas de domingo, de acordo com os resultados oficiais divulgados até agora.
Cinco parlamentares e um ex-governador, em poder dos rebeldes e cujas campanhas foram assumidas por seus familiares, não tiveram sucesso.
Além deles, as FARC mantêm sequestrada desde 23 de fevereiro a candidata presidencial independente Ingrid Betancourt.


