A disputa entre partidos políticos para a formação de blocos tem uma boa justificativa: a possibilidade de comandar o maior número possível das comissões e o poder de indicar presidentes e relatores para os projetos mais importantes. Na passagem de um ano para outro, os maiores partidos iniciam uma corrida para aumentar seu tamanho númerico com novas filiações ou formações de blocos. O princípio regimental para a divisão do comando das comissões é o da proporcionalidade.
A escolha dos presidentes das comissões passa por decisões políticas das lideranças dos partidos. Algumas comissões são ‘‘encomendadas’’ muito antes da troca formal do comando, pelo seu poder ou até pelo seu charme. O ex-presidente da Câmara, deputado Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), por exemplo, já tinha garantida para si a presidência da Comissão de Relações Exteriores desde novembro, quando desistiu de ocupar um cargo no governo.
O poder de Luís Eduardo, no entanto, será bem maior que o de seu antecessor. Num de seus últimos atos em 1996, o plenário da Câmara aprovou a junção da Comissão de Relações Exteriores com a de Defesa Nacional.
Mais que poder, a comissão reservada para o ex-presidente da Câmara tem um charme especial. É nela e na comissão semelhante do Senado que ex-comandantes do Congresso mantêm contato com o mundo. É também ali que são previamente escolhidos os parlamentares privilegiados com as missões oficiais ao Exterior. No dia-a-dia da comissão, a principal tarefa de seus membros é discutir pareceres sobre acordos firmados pelo governo brasileiro com outros países.
Como Luís Eduardo, o ex-presidente do Senado José Sarney deixa o posto para ocupar a Comissão de Relações Exteriores da Casa. Sarney fez uma troca de cadeiras com o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que presidia essa comissão antes de ser eleito o novo presidente do Senado.
A comissão mais disputada da Câmara, entretanto, é a de Constituição e Justiça (CCJ). Só os grandes partidos comandam esta comissão, que tem poder para enterrar qualquer tipo de proposta que viole a Constituição ou outras leis. Cabe à CCJ decidir pelos processos de cassação de mandatos parlamentares. Nos últimos anos, a presidência da CCJ tem sido revezada entre o PFL e o PMDB. Agora o PSDB, prestes a formar um bloco com o PTB e possivelmente tornar-se o maior da Câmara, também entrou na disputa.
Como a CCJ, a Comissão de Finanças e Tributação tem poder terminativo, ou seja, suspender a tramitação de matérias que ferem a legislação, no primeiro caso, ou que sejam carimbadas pela inadequação financeira. Mesmo assim, os deputados têm ainda o direito de recorrer ao plenário, caso suas propostas sejam rejeitadas pelas duas comissões.
Nessa nova sessão legislativa, a Câmara ganhará uma nova comissão para tratar de assuntos estritamente relativos à Amazônia. A proposta ganhou impulso com o lobby da bancada amazônica e foi aprovada com a junção das comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Renovadas a cada ano, as presidências das comissões são definidas pelos líderes dos partidos, assim como os presidentes e relatores de propostas importantes, para as quais são criadas comissões especiais.

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