A uma semana da privatização do Sistema Telebrás, os partidos de esquerda e entidades contrárias à venda iniciaram a uma intensa mobilização para tentar barrar o leilão, marcado para o dia 29, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A estratégia terá início com um ato público marcado para hoje à tarde no Teatro da PUC em São Paulo. Na ocasião, será lançado um manifesto, assinado por políticos, advogados e sindicalistas, e encabeçado pelo presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Barbosa Lima Sobrinho.
‘‘O governo FHC está preparando o golpe final contra o Sistema Telebrás, ao decidir vendê-lo a grandes grupos multinacionais que passarão a ter completo domínio sobre todas as informações que circulam em território nacional’’, afirma o documento, para o qual a privatização é ‘‘um crime contra a soberania nacional’’.
O deputado federal Walter Pinheiro (PT-BA) informou que, depois do lançamento do manifesto, será feita uma vigília permanente nos dias 28 e 29, em frente à Bolsa do Rio. Segundo Pinheiro, vários políticos foram convidados a participar da vigília, entre eles os candidatos à presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PPS).
Ontem, Lula fez um apelo a FHC para que suspenda o leilão de privatização. ‘‘Espero que o presidente tenha cinco minutos de grandeza e que suspenda o processo de privatização até as eleições’’, afirmou, no diretório nacional do PT, durante o Seminário Brasil Telecom, no qual a frente de oposição apresentou um proposta alternativa à privatização da Telebrás.
O presidente nacional do PT, José Dirceu, afirmou que FHC ‘‘amarelou’’ por não ter aceito debater com Lula sobre a privatização da Telebrás. Segundo Dirceu, a intenção dos partidos de esquerda, agora, é tentar, ‘‘no mínimo, conseguir adiar o leilão por seis meses’’.

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