Com a mira voltada para o Palácio Iguaçu, os partidos políticos do Paraná começam a montar ‘artilharia’ para enfrentar o processo sucessório que desaguará somente em 3 de outubro. O PFL, partido do governador Jaime Lerner, quer reconduzi-lo a todo custo ao poder. O PTB do senador José Eduardo de Andrade Vieira também integra o ‘chapão’, que deve arrastar ‘nanicos’ como o PSB, PSC, PST, PL e PRTB.
PMDB, PSDB, PT, PC do B, PSN, PPS e PCB tentam superar divergências mútuas para costurar uma frente única de oposição à reeleição de Lerner. A entrada dos tucanos na possível aliança diminui as chances do PDT fazer parte da frente. O partido segue a orientação nacional do ex-governador do Rio Leonel Brizola de não coligar com o PSDB do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
O PPB faz jogo duplo e tenta valorizar-se até junho, período das convenções quando serão seladas as alianças. Paradoxalmente, os pepebistas ameaçam lançar chapa majoritária própria e sinalizam que estão abertos a composições. Já demonstraram disposição em negociar com o Palácio Iguaçu; com o PSDB do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias; e até com o PMDB do senador Roberto Requião.
O PMDB é a única sigla com representatividade que ainda não definiu qual será a direção partidária que conduzirá o processo pré-eleitoral. A convenção que renovará o comando será em maio deste ano. O ex-governador Mário Pereira, hoje licenciado, deve entregar o ‘bastão’ para o senador Requião, de olho no cargo e na sucessão de Lerner. Desta vez, Pereira sinaliza que não está disposto a ser obstáculo para o senador.
O PSDB fica formalmente sob o domínio de Álvaro Dias, que em dezembro de 97 foi eleito presidente. A função será decisiva para manter o ex-governador na mídia depois de abril, quando será obrigado a desincompatibilizar-se da Telepar. O caminho para Álvaro e seu grupo está livre. Os tucanos ‘lerneristas’ deixaram a sigla e os que ainda não se desfiliaram, como o ex-senador José Richa, estão à margem do processo.
Os comandos do PFL, PDT, PTB, PT e PPB não devem sofrer alterações. Ou já realizaram suas convenções estaduais ou haverá prorrogação de mandato como é o caso do PTB, dirigido hoje pelo secretário da Indústria e do Comércio, Nelson Justus. A direção estadual do PT faz seminários, a partir do dia 13 de fevereiro, como preparação para a disputa. Pedro Tonelli coordena a discussão de um plano alternativo de governo. O primeiro encontro será aberto à comunidade, em Guarapuava.
O Instituto Milton Campos, do PPB, também deverá funcionar a todo vapor. O ex-ministro Borges da Silveira promete cursos de formação para melhorar a capacitação dos pré-candidatos. (L.D.)

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