São Paulo - Os testes aplicados por juízes e promotores eleitorais Brasil afora para comprovar se os candidatos a prefeito e vereador são ou não analfabetos têm envergonhado políticos experientes - alguns, em busca do terceiro ou quarto mandato -, que patinam diante dos ditados, contas matemáticas e interpretação de textos. Mas esta espécie de ''vestibular para candidato'' não é vista com simpatia por partidos e especialistas em legislação eleitoral. O artigo 14 da Constituição prevê que quem não sabe ler e escrever é inelegível, não pode concorrer a cargo público.
O primeiro a se manifestar contra a prática foi o responsável pelas instruções para as eleições deste ano, ministro Fernando Neves, recém-aposentado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Já as legendas acusam os juízes e promotores de ''escolher'' quem será candidato. ''Acho um tanto arrogante e elitista'', opina o deputado Sebastião Madeira (PSDB-CE), presidente do Instituto Teotônio Vilela. ''Não é a escolaridade que determina o bom político.''
No PFL, a orientação para os candidatos que tiverem registro negado por serem reprovados num teste como este é procurar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), e até o TSE. ''Os testes são uma violência'', resume o advogado da sigla e especialista em legislação eleitoral, Adimar Gonzaga.

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