Faltando apenas uma semana para as eleições, a campanha parece que está apenas começando em Astorga (40 quilômetros ao norte de Maringá). A decisão do juiz eleitoral Geraldo Peixoto de Luna, de apelar para uma campanha sem exageros entre os três candidatos a prefeito e 90 a vereador, parece que agradou aos moradores. São 18.475 eleitores – a maior parte gostou da campanha sem muita publicidade e troca de favores. ‘‘Quando os candidatos foram homologados, fiz uma reunião e pedi para respeitarem alguns limites’’, explica o juiz.
Os candidatos não pintaram muros, não colaram outdoors, não exageraram nos santinhos e cabos eleitorais. Além disso, os carros de som só podem trabalhar das 12 às 17 horas e após os comícios bandas locais ou da região que se apresentam. O mais importante, na visão do juiz, é que o eleitor está deixando de procurar o candidato com pedidos de todo tipo. ‘‘Colocamos uma publicidade nas rádios locais, apelando ao eleitor para que não procure o candidato em busca de ajuda financeira ou material’’, lembra Luna.
Ele diz que assim até os candidatos acabam dando o exemplo. ‘‘Pessoas de fora chegam aqui e perguntam para mim se não existe campanha nas ruas’’, comemora o juiz. O magistrado acha que todos os meios de publicidade que ‘‘aborrecem o eleitor’’ foram descartados.
A secretária Andreia Carvalho diz que já escolheu o candidato e elogia a atitude da Justiça. ‘‘A campanha se concentra na área central e em alguns horários’’, conta. Ela acha também que como a cidade é pequena, ‘‘todo mundo se conhece’’ e fica mais fácil escolher o voto.
O candidato a vereador Amarildo Sanches (PSDB), da coligação Muda Astorga, também aprova a campanha. ‘‘Nos outros anos a gente não conseguia acompanhar os candidatos que tinham mais recursos. Agora acho que tenho chance’’, comemora. Ele acredita que a coligação não vai gastar tudo o que declarou à Justiça Eleitoral. A coligação, integrada pelo PSDB e pelo PRP, tem como candidato a prefeito o padre Antonio Cesnik e registrou R$ 100 mil para a campanha. ‘‘Com a ajuda da Justiça o eleitor está pedindo menos’’, revela Sanches.
Os coordenadores dos outros dois candidatos também aprovam a iniciativa do juiz. ‘‘Acho que vamos gastar de R$ 10 mil a R$ 15 mil’’, afirma Amauri Keide, da coligação Astorga, mãos dadas para o futuro (PPB, PMDB, PDT, PTB e PL), com Carlos Keide candidato a prefeito. A coligação registrou um custo de R$ 200 mil na Justiça Eleitoral. ‘‘Não temos nem cabo eleitoral, mas vamos ganhar porque o Carlos é um candidato forte’’, avisa Amauri.
O atual prefeito, João Zampieri (PFL), candidato da coligação Muito mais você (PFL, PPS e PSB), parece ser o que mais investiu. A maior parte dos cabos eleitorais na área central da cidade distribui propaganda de Zampieri. Mas o coordenador da campanha, Ari Zampieri, diz que está gastando ‘‘bem menos’’ que o previsto. A coligação registrou um custo de R$ 300 mil na Justiça Eleitoral. ‘‘Nos limitamos aos adesivos nos carros, cartazes de mão e comícios com bandas locais’’, revela. Ari acha que, mesmo assim, o prefeito se reelege.

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