Os partidos de oposição vão recorrer à opinião pública para tentar instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar suposto envolvimento do ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira em corrupção.
O PT vai usar o horário partidário na TV e no rádio para tentar sensibilizar a população e, em consequência, pressionar os parlamentares. Ontem, o diretório nacional do PT elegeu a criação da CPI como prioridade do partido para este semestre, durante reunião realizada em São Paulo. Os programas e inserções estaduais e nacionais do partido vão ao ar nos meses de abril, maio e junho.
Além do rádio e TV, os partidos de oposição vão buscar apoio em entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Essa estratégia foi a forma que os partidos encontraram para tentar anular os efeitos da decisão dos partidos governistas de não permitirem a instalação da CPI.
Na semana passada, os aliados atenderam ao apelo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que considerou a CPI uma deslealdade e formalizaram a posição contrária à criação da comissão. A decisão foi anunciada um dia depois das declarações de FHC.
A CPI pretendida pela oposição também será para investigar supostas irregularidades no Banpará praticadas pelo então governador do Pará, Jader Barbalho (PMDB), presidente do Senado, e denúncias contra o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Um dos argumentos da oposição é que o Ministério Público (MP), que teria a função institucional para investigar as denúncias, arquivou as acusações trocadas entre Jader e ACM encaminhadas no ano passado. ‘‘Se o Ministério Público não quer apurar, temos de dizer para a sociedade que só resta a CPI’’, afirmou o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE).
O líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), afirmou que os partidos vão insistir na coleta de assinaturas. Para a CPI mista, são necessárias as assinaturas de 171 do total de 513 deputados e 27 senadores do total de 81.
‘‘Vamos explorar as divergências na base. A postura do PSDB de afastar o governo de Jader nas denúncias do Banpará provocou irritação no PMDB’’, disse Pinheiro.

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