Partidos não são referência para eleitor
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sábado, 13 de setembro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaÀ direitaLerner: filiação ao PFL não provocou o desgaste imaginadoA reinserção do governador Jaime Lerner no PFL, assumindo posição política mais à direita que a planejada, não deve provocar reflexos eleitorais na disputa pelo governo no ano que vem. Os eleitores do Paraná não levam em conta a sigla ao qual o candidato ao governo está filiado na hora de depositar o voto na urna. A avaliação, ponderada pelo grupo de Lerner, é confirmada pelo consultor eleitoral Bruno Lopez.
Ex-Ibope e hoje responsável pela empresa Experience Consultoria e Pesquisa, com sede em Curitiba, o consultor informa que o percentual dos eleitores que manifestam preferência partidária ou que dão importância para posicionamentos ideológicos defendidos pelas siglas fica entre 14 e 17%. A identidade do nosso eleitor está muito mais vinculada à pessoa do candidato que à filosofia partidária, explica.
Bruno Lopez diz que o desinteresse partidário é reflexo de uma realidade nacional. No Paraná, por exemplo, só PMDB e PT contam com eleitores que colocam os partidos na frente do candidato. O restante não está nem aí. Se houve medo do governador em assinar ficha de filiação no PFL, por ser um partido de direita e que poderia arranhar uma imagem construída em sentido contrário, foi injustificado, avalia.
O número elevado e a verdadeira legião de partidos desconhecidos instalados no Paraná reforça a tese de Bruno Lopez e servem para diminuir ainda mais a credibilidade ideológica dos partidos políticos. O Estado abriga atualmente, de acordo com os dados oficiais do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), 27 siglas. Das mais diversas tendências. Três delas registradas nesse ano: PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), PSN (Partido da Solidariedade Nacional) e PSDC (Partido Social Democrata Cristão).
O nanico PAN (Partido dos Aposentados da Nação) teve seu registro deferido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para funcionar no Paraná em novembro de 95. De lá para cá continua com um comando provisório e até o momento não participou de nenhuma disputa eleitoral. O PTR (Partido Trabalhista Renovador) não consta mais nos registros do TRE. Participou de três disputas eleitorais e só conseguiu eleger 3 vereadores em todo o Estado, em 92.
O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), é consultado diariamente por seus seguidores sobre trocas partidárias e os seus eventuais reflexos. O deputado não tem dúvidas de que eleitor não está preocupado com o partido. O muro de Berlim caiu e essa história de direita e de esquerda não existe mais. Pode haver filosofia de governo, mas a questão ideológica não tem mais peso algum, analisa.


