A desproporção na representação dos Estados na Câmara, graças a qual um eleitor do Acre vale 21 eleitores de São Paulo, é uma questão que atende mais aos interesses dos partidos do que dos Estados. Assim, ao contrário do que se imagina, o maior obstáculo para a correção desse desequilíbrio não são as bancadas, mas o desinteresse dos partidos beneficiados.
A conclusão é da pesquisadora da USP, Simone Rodrigues da Silva, que fez um levantamento inédito sobre o assunto. Segundo ela, não adianta culpar as bancadas do Norte e Nordeste pela atual situação. ''É um mito dizer que se trata de um problema regional, porque os maiores beneficiados são grandes partidos nacionais, que por isso não têm o menor interesse em alterar esse quadro'', afirma.
Depois de comparar todas as modificações ocorridas na Câmara entre 82 e 98, a autora constatou que o PMDB e o PFL foram os que mais lucraram. O PMDB é majoritário em seis bancadas (Acre, Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraíba). O PFL é soberano em quatro (Amapá, Bahia, Maranhão e Piauí).
Até agora, imaginava-se que os maiores interessados nessa distorção eram os Estados e suas bancadas. O estudo de Simone mostra que os interesses em jogo são muito maiores do que uma disputa regional. ''A verdade é que alguns partidos beneficiam-se enormemente da desproporcionalidade'', diz.

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