Partidos já preparam as candidaturas para 2008
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segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Menos de três meses depois das últimas eleições, alguns dos partidos políticos com maior representatividade no Estado já começam a colocar no tabuleiro suas peças para a disputa das sucessões municipais. Na mira das legendas está, principalmente, a prefeitura de Curitiba. PMDB e PT, agora aliados no governo estadual, devem lançar candidaturas próprias e prometem fazer de tudo para derrotar o prefeito Beto Richa (PSDB), numa possível reeleição. Na última semana, reuniões entre lideranças deixaram evidente o clima de preparação para as eleições.
''Os nomes que vão concorrer à eleição só serão definidos seis meses antes, mas já podemos prever que teremos uma verdadeira batalha eleitoral entre forças com grandes ativos'', afirma Ricardo Oliveira, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A previsão se deve principalmente pelas movimentações que PMDB e PT vêm fazendo em Curitiba, traçando estratégias para barrar uma provável tentativa de reeleição do prefeito Beto Richa.
Na última semana, o presidente do diretório municipal do PMDB, Doático Santos, convocou uma reunião com alguns dos principais nomes da legenda que surgem como ''prefeituráveis''. O partido do governador Roberto Requião trabalha com uma lista de nove nomes: os deputados estaduais Mauro Moraes, Luiz Cláudio Romanelli e Reinhold Stephanes Junior; o deputado federal Rodrigo Rocha Loures; os secretários de Estado de Assuntos Estratégicos, Nizan Pereira, e de Desenvolvimento Urbano, Luiz Forte Netto; o suplente de deputado federal Marcelo Almeida; o reitor da UFPR, Carlos Moreira; e Rafael Greca, ex-prefeito da capital e que não conseguiu se reeleger deputado estadual.
''Já começamos a discutir nosso plano de ação para a eleição. Temos vários nomes no partido com potencialidade. Queremos definir um e reunir os demais em torno dele'', explica Santos. ''Vamos elaborar um projeto popular para a prefeitura de Curitiba, que possa ser levado a efeito por uma candidatura também popular.''
As pretensões, no entanto, podem esbarrar justamente na ''popularidade'' dos possíveis candidatos. ''São nomes de expressão, mas que não conseguiram atingir uma grande votação em Curitiba nas últimas eleições'', comenta Ricardo Oliveira. Bom exemplo disso é o caso de Luiz Cláudio Romanelli. Apesar de ter sido o quarto deputado estadual mais votado em todo o Paraná, apenas 5.114 de seus mais de 82 mil votos foram conquistados no município de Curitiba. Dos parlamentares eleitos em outubro, o que teve maior votação na capital (43.651 votos) foi Mauro Moraes que já concorreu à prefeitura em 2004, pelo PL, acabando em quarto lugar com uma aceitação parecida: 44.489 votos.
O caso mais curioso é o de Rafael Greca, cuja votação na capital vem caindo a cada eleição. Em 1992, ele foi eleito prefeito com 324 mil votos. Em 1998, foi o deputado federal mais votado do Paraná com grande contribuição dos curitibanos, que lhe deram 165 mil votos. Quatro anos depois, Greca se elegeu deputado estadual com 51 mil votos, 44 mil deles conquistados em Curitiba. Na eleição de outrubro, a tendência de redução de seu eleitorado prosseguiu e ele obteve apenas 34 mil votos (29 mil em Curitiba), o que não foi suficiente para lhe garantir a reeleição.
Apesar disso, o cientista político Ricardo Oliveira não descarta que Greca possa ser um nome relevante na eleição do ano que vem. ''Ele deve assumir a Cohapar, cargo com visibilidade e que tem uma temática de urbanismo, podendo voltar a ter força para disputar a prefeitura'', justifica o professor.
Independente do nome a ser escolhido pelo PMDB, Doático Santos defende ainda que o PT também lance candidatura própria para a disputa na capital. ''A aliança que queremos fazer com o PT é para não permitir que o atual prefeito vá para o segundo turno'', afirma.
A postura deve azedar ainda mais a relação do peemedebista com Beto Richa. Após as eleições do ano passado, Doático Santos foi nomeado por Requião como assessor especial para assuntos da capital. A medida foi vista por aliados de Richa como provocação, já que no segundo turno das eleições, o prefeito tucano apoiou Osmar Dias (PDT), adversário de Requião. ''O governo tem relações institucionais com a prefeitura, que queremos que sejam as melhores possíveis. Mas governo é governo, partido é partido'', conclui Santos.


