Partidos estudam fusão para 'driblar' restrições
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sábado, 10 de novembro de 2018
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 

Curitiba - Passadas as eleições, políticos atingidos pela cláusula de barreira já começam a negociar a migração para ouras siglas, a fusão ou ainda a criação de novos partidos. Conforme a regra, cada agremiação precisava obter ao menos 1,5% dos votos válidos no pleito para a Câmara dos Deputados, distribuídos em, no mínimo, nove unidades da federação, com 1% dos votos válidos em cada uma delas. A limitação "asfixiou" 14 das 35 legendas registradas no País: Patriota, PHS, PCdoB, PRP, Rede, PRTB, PMN, PTC, PPL, DC, PMB, PCB, PSTU e PCO.
Se as regras começarem de fato a valer em 2019, todas devem ficar sem dinheiro do fundo partidário e acesso gratuito à propaganda de rádio e televisão. No Paraná, três deputados estaduais eleitos - Doutor Batista (PMN), Marcio Pacheco (PPL) e Boca Aberta Junior (PRTB) - além de um senador - Flavio Arns (Rede) -, estão nessa situação. Os parlamentares podem perder ainda direito a gabinete partidário, de realização de discursos nas sessões plenárias e estrutura de assessores, entre outros pontos.
O PPL, que lançou João Goulart Filho ao Palácio do Planalto, por exemplo, tem discutido uma aliança com o PCdoB, da candidata a vice-presidente na chapa com o PT Manuela d'Ávila, como forma de "sobreviver" à cláusula. Presidente estadual e um dos fundadores do partido, Pacheco disse à FOLHA que o diretório nacional também dialoga com o PHS, o PMN e o PTC. "Mas, acredito que, independentemente da conjuntura que se construir, é real a possibilidade de eu deixar o partido", contou.

"Tenho convites de vários, que me deixam bastante honrado. Temos um mandato pela frente. É claro que está ainda em análise, porque tem toda a conjuntura - local, da minha região [Cascavel, no Oeste do Estado], de Assembleia, de Estado, e a nacional. Cada uma delas a gente tem que colocar o peso para ver. Tem também a questão dos partidos. Qual o tamanho do partido que a gente acha interessante estar? Tudo isso tem um peso no processo político, não só no processo eleitoral", prosseguiu.
Segundo Batista, o mais provável é que o PMN, que tem em seus quadros o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, se una a outra sigla. "Apenas fizemos três deputados federais em todo o País, dois no Maranhão e um em Minas, sendo que dois só valem por um [por conta das limitações por Estado]. Vamos aguardar a direção nacional para tomar uma decisão. Fica ou não fica? Soma-se ou não? Coliga com quem? Funde com quem? Tudo depende dessa posição. Mas o prefeito é totalmente independente. Se quiser trocar de partido pode, sem perda de mandato, como muitos governadores fazem", explicou.

De acordo com ele, no caso dos parlamentares, dependendo da fusão é dado um prazo de 30 dias para decidir. O PMN chegou a conversar com a Rede, entretanto, a minirreforma eleitoral de 2015 trouxe um empecilho: somente partidos com cinco anos ou mais de existência, o que não é o caso do da ex-ministra Marina Silva, podem incorporar ou serem incorporados a outros.
As demais possibilidades seriam o PHS e o PPL. "Vai acontecer a fusão, não tenha dúvida. E aí vamos fazer um estudo. A minha vontade é ficar, porque a paixão pelo partido é muito grande. São 14 anos de partido, com muitas filiações e responsabilidades assumidas. Não posso abandonar o barco", completou o deputado.

OUTRA SAÍDA
Candidato derrotado ao governo do Paraná, Geonísio Marinho afirmou que o PRTB busca uma saída diferente. "O nosso partido não vai se fundir com ninguém. Essa é a informação da nossa nacional. O vice do [presidente eleito] Jair Bolsonaro (PSL-RJ), Hamilton Mourão, é do nosso partido. Especula-se que, com a vitória, poderão vir alguns eleitos. Acredito que um político hoje eleito gostaria de estar junto do partido do vice", opinou.
Enquanto o PRTB elegeu três parlamentares, o PSL emplacou a segunda maior bancada da Câmara, com 52 deputados. Caso a adesão não se confirme, ele disse que, aí sim, a sigla pretende montar chapas para prefeito e vereador obedecendo à nova regra. "Para nós, como nunca tivemos fundo partidário e sempre tivemos pouco tempo de TV, não muda muito. Queremos trabalhar essa questão das redes sociais", comentou.
A solução, assim, seria atuar de forma conjunta com outras legendas, sem necessariamente se fundir "Se eu tiver cinco partidos trabalhando junto, cada um na sua chapa, mas como parceiros, custeando despesas como advogado e contador, teremos 285 candidatos a vereadores só em Curitiba (?) Temos bom relacionamento com o PTC, com o PHS e com o PSDC", adiantou Marinho. (Leia mais na página 5)


