Brasília - Os partidos do mensalão continuam sendo os mais beneficiados pela liberação de verbas federais para emendas parlamentares. Desde o início do ano, os quatro principais partidos suspeitos de envolvimento no esquema de propinas - PT, PL, PP e PTB - foram contemplados com 53% dos recursos empenhados pelo governo para as pequenas obras e gastos paroquiais previstos nas emendas. No último mês e meio, os deputados e senadores desses partidos chegaram a receber R$ 66,7 milhões - quase o dobro dos valores liberados entre janeiro e agosto.
Contando o PMDB, o PSB e o PC do B, a fatia de recursos que coube à base governista no Congresso chega a 77%. Em valores absolutos, o mais beneficiado é o PT, com R$ 38,7 milhões dos R$ 194 milhões já empenhados, mas em comparação ao tamanho de sua bancada o campeão é o PP do deputado José Janene (PR), que enfrenta processo de cassação.
O empenho do recurso é o ponto de partida para a realização de uma obra e, mesmo que muitas vezes não seja concluído com o pagamento da despesa, serve para o parlamentar se promover em sua base eleitoral. Em média, cada parlamentar do PP foi contemplado neste ano com pelo menos R$ 507 mil para suas propostas orçamentárias. O valor é bem inferior ao que cada um tem direito (R$ 3,5 milhões), mas supera de longe o que deputados e senadores da oposição recebem.
Individualmente, os parlamentares do PP mais beneficiados com recursos de emendas foram Romel Anízio (MG), Vanderlei Assis (SP), Francisco Dornelles (RJ), Sandes Júnior (GO) e José Linhares (CE), todos com mais de R$ 1,5 milhão de empenho. O ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti aparece com R$ 1,1 milhão - valor que foi liberado em setembro, em meio às denúncias que levaram à sua renúncia.
O segundo partido com maior porcentual de emendas atendidas é o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson, com R$ 18 milhões, ou R$ 409 mil por cabeça. O próprio Jefferson é um dos mais beneficiados: foi agraciado com R$ 1,2 milhão de empenhos, ao lado de deputados como Kelly Moraes (RS), Marcus Vicente (ES), José Carlos Elias (ES), José Múcio (PE) e Josué Bengtson (PA).
Para o PL o governo liberou R$ 18 milhões, uma média de R$ 354 mil por parlamentar. A lista é encabeçada por dois deputados que renunciaram: Carlos Rodrigues (RJ), com uma liberação de R$ 2 milhões, e Valdemar Costa Neto (SP). Em seguida vem Sandro Mabel (GO), que enfrenta processo de cassação.
No PT, a média de liberação por cabeça chega a R$ 383 mil, e a lista é encabeçada pelo senador Tião Viana (AC), com R$ 2,45 milhões recebidos. Em seguida, dois que figuram na lista de denunciados pela CPI dos Correios - João Paulo Cunha (SP), com R$ 1,4 milhão, e Paulo Rocha (PA), que já renunciou, com R$ 1 milhão -, além de Luiz Sérgio (RJ), responsável pela anulação de parte da reunião do Conselho de Ética na qual foi lido o relatório pedindo a cassação do deputado José Dirceu. Ele foi contemplado com R$ 1,1 milhão - R$ 790 mil recentemente.

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