Arquivo FolhaMarta: vagas às mulheres‘‘Tem que cair a ficha dos partidos para que eles não dêem vexame’’. O ‘puxão de orelha’ é da deputada federal Marta Suplicy (PT-SP), autora da lei que reservou 25% das vagas dos partidos políticos às candidaturas femininas nas eleições proporcionais deste ano. A Folha consultou a deputada, por telefone, para saber a opinião dela sobre a chiadeira que começa a ganhar força entre os partidos - a de que eles dificilmente conseguirão cumprir a lei.
No Paraná, o primeiro partido a assumir a dificuldade foi o PMDB. O presidente estadual em exercício, Milton Buabssi, declarou-se contra a lei da deputada e adiantou que de 20 vagas a que as mulheres têm direito a concorrer na Assembléia - de um total de 81 - apenas oito foram requisitadas até o momento. Para as candidaturas à Câmara Federal, Buabssi disse que o problema é ainda maior. Somente uma militante decidiu colocar seu nome à disposição do partido. Como em outras siglas, o PMDB do Paraná é obrigado a garantir que 14 das 45 candidaturas - que pode lançar - fiquem sob o domínio feminino.
O PSDB também admite que pode não conseguir fechar as cotas destinadas às mulheres e corre o risco de não preenchê-las. O membro da executiva estadual do partido e ex-secretário geral, Antenor Bonfim, assume que não sabe o que é pior: não preencher as vagas ou incluir ‘figurantes’. ‘‘As duas situações são graves’’, reconhece. ‘‘Temos dificuldade de despertar a mulher para a atividade política. Ela é menos suscetível à corrupção’’, emenda.
Já o presidente do diretório estadual do PT, Pedro Tonelli, garantiu ontem que o Partido dos Trabalhadores irá usar toda a cota feminina. Por enquanto, Tonelli contabiliza nove candidatas interessadas em disputar as eleições deste ano - sete delas para a Assembléia Legislativa e duas para a Câmara dos Deputados.
Apesar do número ser insuficiente para fechar os 25% previstos na lei, Tonelli explica que a partir deste mês o PT irá adotar uma orientação da executiva nacional de estimular candidaturas. ‘‘As nove candidaturas surgiram de forma espontânea. Agora iremos estimular outras, principalmente nas regiões onde existem poucas candidatas, mas uma grande militância’’. ‘‘Sem a mulher, a democracia fica pela metade’’, completa.
Marta Suplicy disse não estranhar a possibilidade de descumprimento de sua lei em vários partidos. ‘‘Imagine se ia ser diferente!’’, ironiza. Ela acredita, porém, que será motivo de vergonha para os partidos a não criação de condições de disputa ou a inclusão de candidatas ‘‘laranja’’. ‘‘Acho que tudo vai depender agora das mulheres militantes exigirem as cotas. E os partidos devem ajudar a fazer campanha. A cota é só um instrumento para ampliar a participação da mulher, mas não vai ter significado se não for auxiliada pelo instrumento partidário’’, defende.
A deputada sugere que os caciques dos partidos políticos que ‘‘sempre deram força para os seus apadrinhados’’ também possam voltar-se às candidaturas femininas. Marta Suplicy pretendia fazer um encontro entre os presidentes nacionais de todos os partidos políticos com representantes das mulheres, mas teme não conseguir realizá-lo por causa do envolvimento com sua campanha ao governo de São Paulo.
Nas eleições de 96, as cotas para mulheres foram de 20% e subiram para 25% neste ano. A lei da deputada Marta Suplicy também amplia para 30% as candidaturas femininas no ano 2000.

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