Dos onze partidos que têm representação na Câmara Municipal de Londrina, cinco já fecharam questão sobre o voto de seus vereadores na próxima segunda-feira, quando o prefeito Barbosa Neto (PDT) será submetido a julgamento político e poderá ter o mandato cassado por ter supostamente pago com dinheiro público, através de um contrato com a Centronic, dois vigias que trabalharam em sua emissora de rádio. Outros três partidos deixaram os filiados livres e três ainda vão realizar reuniões no final de semana sobre o tema. As coligações, para as eleições de outubro, não devem interferir nas decisões partidárias.
Já se definiram contra a cassação do prefeito seu próprio partido, o PDT, que tem Roberto Fú e Sebastião dos Metalúrgicos na Câmara; e o PTC, que integra o governo de Barbosa com quatro cargos comissionados, incluindo a secretária do Idoso, Altina Gouvêa, mãe do vereador Rodrigo Gouvêa. O outro vereador do PTC é Roberto da Farmácia do Vivi. ''Estamos do lado do prefeito porque fazemos parte do governo. Defendemos a administração'', afirmou o presidente do PTC, Ulisses Sabino. A presidente do PDT, Daiane Medeiros, disse que ''o partido está coeso''. ''Fechamos questão contra a cassação e estamos tranquilos, dando total apoio ao prefeito Barbosa Neto'', afirmou.
O PTB, que tem Rony Alves e Ivo de Bassi na Câmara, espera o voto favorável ao relatório da CP, segundo a presidente da executiva local, Nádia Moura. ''Acreditamos que a CP fez um trabalho sério e recomendamos que nossos vereadores votem conforme o relatório.''
O PHS, cujo único representante na Câmara é Eloir Valença, também recomendou o voto favorável à cassação. ''O vereador deve estar sob muita pressão, mas o partido fechou questão e acredito no bom senso do Eloir'', afirmou o presidente do diretório local do PHS, Marcos Defreitas. A pressão a que se refere Defreitas se deve ao fato de Eloir ter sido preso em maio sob suspeita de envolvimento no esquema de compra de apoio de vereadores para impedir a abertura da CP. Juntamente com aliados do prefeito, ele responde processo por crimes de corrupção e formação de quadrilha.
O PT, de Jacks Dias e Lenir de Assis, também fechou questão em recente reunião do diretório. ''Nossos vereadores votarão de forma unitária, mas não vamos antecipar o voto sob pena de suspeição deles'', afirmou o presidente petista Onaur Ruano.
O PSDB liberou Roberto Kanashiro (presidente da CP), Amauri Cardoso e Gerson Araújo (presidente da Câmara) para votar ''de acordo com suas consciências''. ''Confiamos plenamente em nossos vereadores. Eles farão o que é certo'', disse Éder Pimenta, presidente do PSDB local. Mesmo posicionamento teve o PSC, segundo o presidente da legenda, Joaquim Ribeiro, vice-prefeito de Londrina. ''O vereador Antenor Ribeiro (integrante da CP) deve votar da forma que julgar mais correta.'' O PMDB deve adotar o mesmo procedimento em relação ao seu representante no Legislativo, Tito Valle. ''O vereador tem que ter sua opinião e cumprir o seu papel dentro da legalidade'', afirmou Leonilso Jaqueta, presidente do PMDB.
O PP, que tem na Câmara Sandra Graça (relatora da CP), Marcos da Horta e Joel Garcia, ainda não definiu o posicionamento de seus representantes. ''Vamos marcar uma reunião para este final de semana. A tendência é acompanhar o relatório da CP, feito pela vereadora de nosso partido'', afirmou o presidente da sigla, Fernando Nicolau. ''Não há qualquer interferência nos partidos que estão coligados para as eleições municipais.''
Também estão indefinidos o PR, do vereador Padre Roque, e o PSB, de Jairo Tamura. ''Vou me reunir com os membros do partido e analisar o relatório da CP para definirmos meu voto'', disse Padre Roque, que é presidente do PR em Londrina. O PSB ainda aguarda posição do diretório estadual. ''Vamos nos reunir com o presidente estadual do partido para definir um posicionamento'', afirmou o presidente da executiva local Hélio Lourenço.

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