Termina amanhã o prazo estipulado pelo presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB), para os partidos indicarem os componentes da Comissão Parlamentar Especial, criada para acompanhar as investigações do Ministério Público (MP) em torno das denúncias de desvios na Prefeitura de Maringá. O ex-secretário de Fazenda Luis Antônio Paolicchi disse, em depoimento à Justiça Federal no dia 23 de fevereiro, que as campanhas do governador Jaime Lerner (PFL) e do senador Alvaro Dias (PSDB) receberam recursos desviados da prefeitura. Tanto o senador quanto o governador sustentam que as declarações de Paolicchi são inverídicas, mas agora os deputados querem investigar o assunto. A comissão deve começar a funcionar nesta semana.
A base aliada tem a maioria garantida na comissão que, a princípio, deve acompanhar as investigações sem se aprofundar no caso. Dos sete integrantes, cinco são de partidos que dão sustentação política ao governo: PFL, PSDB, PTB, PPB e PSL. As outras duas vagas ficam com a oposição (PT e PMDB). Para a definição de participação das bancadas, foi obedecido o princípio da proporcionalidade, previsto no Regimento Interno da Casa. Como a situação conta com 40 dos 54 deputados, ficou com maior participação.
Alguns partidos já têm nome escolhido. O líder da bancada peemedebista, Nereu Moura, vai compor a comissão. O PPB indicou Duilio Genari. Plauto Miró Guimarães, líder do PFL, também participa.
As declarações de Paolicchi deixaram os deputados alvoroçados. A oposição tentou implantar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mas não conseguiu. Os deputados oposicionistas também cogitaram pedir o impeachment do governador, mas essa alternativa não tomou corpo por falta de embasamento.
As articulações culminaram com a criação da comissão suprapartidária, fruto de acordo entre situação e oposição. A intenção inicial do líder do governo, Durval Amaral (PFL), era criar a comissão somente para acompanhar as apurações do Ministério Público. Mas acabou admitindo que a Comissão poderá também investigar.
Moura promete imprimir um caráter ‘‘investigatório’’ à comissão. ‘‘Não tem condição de ficar só acompanhando. Temos que ir a fundo nesse assunto’’. A comissão não tem o poder de uma CPI e não pode convocar pessoas para depor, mas pode solicitar documentos. Moura lamenta que a comissão não tenha mais poderes.
O deputado Irineu Colombo (PT) diz que pretende instalar uma comissão processante contra o governador. O petista afirma que está na fase de coleta de documentos e, se não encontrar apoio, garante que pode tocar a iniciativa sozinho.

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