Brasília Empossado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e definido o novo ministério, as atenções e a disputa por espaço de poder voltam-se agora para o Congresso. A despeito do recesso parlamentar, a semana política será movimentada em Brasília, com uma agenda intensa de reuniões das cúpulas dos partidos de oposição ao governo petista. Ao mesmo tempo em que PMDB, PFL e PSDB retomam as conversas em torno da formação de um bloco parlamentar na Câmara, o candidato do PT a presidente da Casa, João Paulo Cunha (SP), reinicia as articulações com a oposição para garantir sua vitória.
Ao menos por enquanto, PT e PMDB partilham o discurso público do respeito às regras do Parlamento, pelas quais a indicação do presidente da Casa cabe à legenda majoritária. Um discurso confortável para ambos, uma vez que o PMDB é majoritário no Senado e o PT, na Câmara. Mas os dois partidos trabalham um ''plano B'' nos bastidores. A saída é a mesma: em caso de dificuldades ou traição, ambos planejam compor com o PFL, entregando a presidência do Senado ao senador eleito Marco Maciel (PFL-PE).
''Vou procurar todos os partidos oficialmente nesta semana. Quero conversar com o PFL, o PSDB e o PMDB, no sentido de restabelecer o acordo em torno da maior bancada'', diz Cunha, que na sexta-feira entregou a liderança do PT ao deputado Nelson Pellegrino (BA), para se dedicar exclusivamente à campanha pela presidência da Câmara.
Na semana passada, ele não perdeu tempo. Aproveitou a presença em Brasília do líder do PMDB e candidato a presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), para reafirmar sua disposição de respeito à tradição da bancada majoritária.

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