Partidos buscam campanha sem prejuízo à estabilidade
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sábado, 25 de maio de 2002
João Domingos Agência Estado 
Brasília - As turbulências que ameaçam a economia brasileira começam a reforçar uma corrente que inclui representantes de praticamente todos os partidos. A prioridade, é claro, continua a ser vencer as eleições, mas ganha corpo a idéia de que os candidatos à Presidência e suas legendas devem fazer campanha com responsabilidade, atentos à estabilidade do País.
Não há candidato que possa deixar de se preocupar com a governabilidade, porque não adianta nada vencer a eleição e não ter como governar, diz o presidente nacional do PFL, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC). Quem quiser governar tem que assinalar agora, na campanha, que está a favor da governabilidade.
O partido de Bornhausen, aliás, é um exemplo da nova tendência. Depois de abrir mão de candidatura própria à Presidência e de passar dois meses às turras com o Planalto, concordou em acelerar a votação da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e garante ao governo Fernando Henrique o equilíbrio orçamentário.
Os candidatos têm de entender que a eleição faz parte do sistema democrático. Quem não respeitar a longevidade do Estado e do seu povo não pode pensar em governar, porque os dirigentes são eventuais, permanentes são o Estado e o povo, diz o deputado petista Paulo Delgado (MG).
Delgado recomenda mais cautela nas declarações, inclusive a Luiz Inácio Lula da Silva, que num encontro com empresários gaúchos sugeriu que o Brasil deveria adotar medidas protecionistas semelhantes às praticadas pelos EUA. Todos os candidatos têm falado coisas muito estranhas. Lula, Ciro Gomes, Anthony Garotinho e até José Serra, que tenta se desvincular do governo. Para Delgado, os presidenciáveis devem firmar um pacto: Eles têm de tirar a agenda negativa da eleição.
O presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), também avalia que a especulação encontra bom caminho pela frente quando os candidatos não mostram firmeza nas propostas ou fazem pronunciamentos dúbios. Ele acha que todos os que desejam substituir o presidente Fernando Henrique Cardoso deveriam anunciar que vão processar agências e bancos que especularem contra o Brasil.
O problema, acrescenta Bornhausen, é que em 1998 todos pensavam que, para evitar instabilidades políticas e econômicas, seria necessário reeleger Fernando Henrique. Mais quatro anos e o País seria imune às especulações, já estaria maduro para suportar uma campanha política sem ameaças à governabilidade. Agora, percebe-se que ainda precisamos de mais um tempo, porque ainda não temos uma situação de tranquilidade.


