Partidos brigam por vagas na transição
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sábado, 09 de novembro de 2002
João Domingos Tânia Monteiro<br> Agência Estado 
Brasília - A disputa dos partidos aliados ao futuro governo pelos cargos na equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva chegou a tal ponto que os coordenadores do escritório de trabalho do novo governo decidiram solicitar ao presidente Fernando Henrique Cardoso a abertura de mais vagas. Todos os partidos querem participar e, por isso, criticam o PT, que até agora só nomeou técnicos do partido.
A justificativa oficial, porém, é outra. O coordenador-adjunto da equipe de transição, Luiz Gushiken, disse ontem que será necessário fortalecer a estrutura da equipe para acelerar seus trabalhos, contratando mais pessoas, além das 51 previstas. De acordo com Gushiken, não será possível fazer um diagnóstico da máquina governamental num prazo de dois meses. ''Isso é impossível, dada a dimensão da tarefa'', afirmou ele.
Gushiken disse que as informações estão sendo repassadas pelo atual governo por contatos pessoais e pelo site criado na Internet para essa finalidade. A equipe de transição trabalha no Centro de Treinamento do Banco do Brasil, que teve uma de suas alas preparadas especialmente para abrigar os técnicos do governo de Lula. A princípio, teria apenas técnicos. Mas os partidos pressionaram tanto, que os políticos também serão nomeados. De acordo com informações do Gabinete Civil do Palácio do Planalto, os 51 cargos destinados ao novo governo não são novos. Estavam congelados.
Para atender aos novos pedidos, outros deverão ser descongelados, mas somente no caso de haver disponibilidade. A criação de novos postos seria muito difícil, porque gerariam despesas que teriam de ser aprovadas pelo Congresso. O prazo é muito pequeno. E tudo tem de estar previsto no Orçamento.
Por trás do pedido de novos cargos está a disputa interna entre partidos aliados de Lula e de alas diferentes do próprio PT, conta um auxiliar do presidente eleito. A confusão é grande porque dos 51 cargos, apenas um o do coordenador, cuja função coube ao prefeito de Ribeirão Preto, Antonio Palocci , tem salário de R$ 8 mil. Depois, vêm 12 cargos de R$ 6,2 mil, outros cerca de 20 de R$ 4 mil, seguidos de funções remuneradas com salários que vão de R$ 1,2 mil a R$ 2 mil.
Para evitar o uso político de informações sigilosas, Lula determinou a Antonio Palocci que só nomeasse técnicos de absoluta confiança do novo governo. Acontece que muitos dos escolhidos não têm aceitado o convite, porque teriam de abandonar seus empregos, onde recebem muito mais.
Ninguém tem auxílio-moradia. A mensalidade de um flat em Brasília não sai por menos de R$ 2 mil. Os únicos que aceitam assumir as vagas, mesmo que por salários baixos, são os assessores políticos, já remunerados por seus partidos. Mas esses Palocci não os quer para o lugar dos técnicos.
Com o aumento das funções de salário mais alto, Palocci poderia contratar mais técnicos. E deixaria os cargos de salário mais baixo para as indicações dos partidos, atendendo ao mesmo tempo a demanda política dos aliados, que começa a se tornar muito forte. Aliados de Lula no primeiro e no segundo turnos pressionam para fazer suas nomeações e também dar algum tipo de palpite na transição.


