Partidos brigam por tempo na TV
Um recurso aprovado pela executiva nacional do PT restabelece integralmente o tempo da propaganda eleitoral que caberá ao PCdoB na eleição proporcional. No mês passado, o PT havia decidido em seu encontro estadual dividir igualmente entre os candidatos a deputado do PT, do PCdoB e do PCB o tempo de campanha no rádio e na TV. Mas a decisão beneficiaria os candidatos petistas, reduzindo o tempo a que PCdoB e PCB teriam direito. O diretório regional do PT resolveu mudar a definição do encontro, o que causou polêmica entre os candidatos do PT.
Deixar todos com tempos iguais significaria tirar parte do tempo do PCdoB, que poderia criar uma dificuldade. Então, resolvemos superá-la, explica o presidente do diretório do PT, Roberto Salomão. Ele negou que tenha sofrido pressão do PCdoB.
Independente do recurso, o tempo é inegociável, garantiu o secretário-geral do PCdoB, Milton Alves. Condenamos essa pretensão hegemonista.
Para o secretário do partido, aliança é somatória, composição. Você dá umas coisas e cede em outras, declarou, informando que o partido destinará seu tempo na majoritária para o candidato ao governo, Roberto Requião (PMDB) e ao candidato ao Senado, Nedson Micheleti (PT). Não vamos perder tempo com isso já que temos objetivos maiores de eleger o Lula e derrotar o lernismo. Requião deverá ter 56 segundos do tempo do PCdoB; Micheleti terá 40 segundos e o único candidato a deputado federal do partido, Ricardo Gomyde, que disputa a reeleição, ficará com 40 segundos.
Privilegiar um candidato na coligação de maneira indevida é um absurdo, reclamou o deputado federal Paulo Bernardo (PT), candidato à reeleição.
O ex-prefeito de Londrina e candidato a deputado federal, Luiz Eduardo Cheida (PT), disse que não se sente prejudicado com a decisão. Mas talvez seja uma injustiça com os outros candidatos.
Gomyde disse que a incompreensão por parte de um ou outro candidato demonstra que se perde de vista a questão do fortalecimento da aliança de esquerdas. A tese de que o tempo do PCdoB deve ir para os outros partidos é tão ridícula que a própria executiva nacional do PT considerou a postura errada e corrigiu. (P.Z)





