Brasília - A uma semana da eleição para presidente da Câmara, os partidos intensificaram as articulações para a formação de blocos que poderá alterar toda a composição da Mesa Diretora. A distribuição dos cargos é feita de acordo com o tamanho das legendas na Casa e o bloco parlamentar, de duas ou mais siglas, conta como se fosse uma bancada partidária para efeito da divisão das vagas. O PPS, que elegeu 22 deputados e não tem direito a vaga na Mesa, discute juntar-se com o PSDB. Esse bloco resultaria na segunda maior força da Câmara, com 88 deputados, desbancando o PT, com 83, e com direito a dois cargos na Mesa.
''Estamos discutindo a possibilidade de bloco, inclusive com o PSDB'', afirmou o líder do PPS na Casa, Fernando Coruja (SC), que classificou as conversas até agora de informais. Fernando Coruja também conversou com agremiações menores, como o PMN (três deputados), o PHS (dois) e o PTC (três). ''Há uma série de conversas. Trabalhamos com a hipótese de fazer um bloco'', disse. O líder do PSDB na Câmara, Antônio Carlos Pannunzio (SP), disse que ainda não há nada de concreto.
''O PT elegeu uma bancada muito boa e não tem nenhuma preocupação com essa questão de bloco. Primeiro, precisamos ver se vai ter esse bloco. O PSDB está tendo dificuldade para se entender até internamente'', afirmou o deputado eleito Cândido Vacarezza (PT-SP), um dos coordenadores da campanha do candidato a presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Os líderes partidários procuram fazer as articulações para a formação de bloco de forma reservada com o objetivo de dificultar a reação das bancadas que, eventualmente, serão prejudicadas. O líder do PP, deputado Mário Negromonte (BA), tem uma autorização assinada pelos deputados da bancada para formar bloco com outro partido, se houver ameaça de perder espaço na Mesa. O documento deixa em aberto a legenda ou legendas que poderão integrar esse eventual bloco.
O PR pode formar bloco com o PSC. A data para a formalização dos blocos na secretaria da Mesa ainda não foi fixada, mas não poderá passar as 15 horas de quarta-feira, quando haverá a reunião do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), candidato à reeleição, com os líderes para a escolha dos cargos na Mesa.
O PSB e o PCdoB anunciaram a formação de um bloco, mas procuram ainda mais parceiros. O bloco PSB-PCdoB permite uma vaga de titular, que nenhuma das siglas sozinha teria direito.
Se as articulações que também são feitas com o PMN derem resultado, a escolha do bloco será melhor, com a possibilidade de ocupar a terceira secretaria. O PDT, que elegeu 24 deputados, tem sido procurado, mas não deve formar bloco com nenhuma agremiação.
O bloco permite que as bancadas das siglas continuem com as estruturas na Casa, mas os deputados passam a ter apenas um líder para responder pelo bloco e fazer as intervenções no plenário. Com mais possibilidade de espaço na Casa, os cargos são divididos entre as agremiações que integram o bloco, o que permite que pequenos partidos ocupem boas vagas e integrem comissões importantes como titulares.

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