Curitiba - O sistema de eleições proporcionais para escolher os deputados federais e estaduais acaba jogando os holofotes nos ''puxadores de voto'': candidatos que recebem mais votos do que o necessário para garantir sua vaga. Esses votos acabam migrando para ajudar outros deputados menos votados a assumir um lugar na Câmara ou na Assembléia.
Tradicionalmente, os puxadores de votos têm direito a algumas regalias pelo seu desempenho. Por ter ajudado, mesmo que involuntariamente, a eleger outros candidatos da chapa, os deputados acabam se tornando lideranças entre as bancadas. ''Às vezes a gente se sente como o sapo que carrega escorpiões nas costas, mas o nosso nome é sempre lembrado'', comenta Rafael Greca (PFL), que disputa uma vaga na Assembléia Legislativa.
Privilegiar ou não os puxadores de voto na campanha é uma política interna de cada partido. No PT, a opção foi pelo tratamento igualitário entre os candidatos, apesar da opinião contrária de alguns candidatos. ''Muita gente defende que o (deputado estadual) Angelo Vanhoni devia ter mais espaço no programa eleitoral, porque ele deve fazer uma boa votação. Isso ia ajudar outros candidatos, mas a coordenação da campanha preferiu agir de outro modo'', afirma o presidente do partido, André Vargas.
Um pouco mais de espaço na tevê normalmente é a única coisa que os partidos podem oferecer. ''Não tem como privilegiar de outra forma. Se fizermos isso, os outros com certeza vão ficar melindrados'', acredita o presidente estadual do PTB, Valdir Rossoni.
Os dirigentes partidários não estão levando em conta apenas o desempenho de seus candidatos mais votados. Cálculos são feitos e refeitos para descobrir qual a quantia de votos necessária para um candidato se eleger. ''Agora que a população está mais familiarizada com a urna eletrônica, o número de votos válidos vai aumentar, e consequentemente, as votações vão ter que ser maiores'', acredita Milton Buabssi, ex-presidente do PMDB. Já Rossoni acredita que a quantidade necessária de votos será menor para os candidatos da coligação Vote 12, que reúne PTB, PPB e PDT. ''A chapa está mais bem montada que na última eleição. Acredito que na chapa dos deputados federais vamos precisar de 40 mil votos, e na de estadual de 25 mil.''(R.S.)

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