O PSDB, o PFL e o PPB oficializaram ontem a candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição. Os três partidos realizaram suas convenções nacionais ontem, em Brasília. FHC será o primeiro presidente civil, eleito democraticamente, que vai concorrer a mais um mandato permanecendo no cargo. Aos 67 anos, ele é fundador do PSDB e o primeiro político da sigla a ocupar a Presidência. Antes de vencer a eleição em 94, ocupou os cargos de ministro das Relações Exteriores e da Fazenda, durante o governo de Itamar Franco.
Uma das prioridades de seu governo no Planalto foi modificar a Constituição para poder concorrer a mais um mandato. Conseguiu que o Congresso fizesse a mudança em janeiro de 97. Deputados disseram a amigos ter recebido dinheiro para votar a favor. O caso foi abafado. Ninguém, até o momento, foi punido. Agora, o presidente tenta conseguir em torno de sua candidatura uma das maiores alianças partidárias da história da política brasileira.
Ontem foram formalizados os apoios do PSDB, PFL e PPB. Até o final deste mês, FHC espera a adesão do PMDB e do PTB. O PTB, segundo o senador José Eduardo de Andrade Vieira, espera lançar candidato próprio, o ex-governador mineiro Hélio Garcia, porém não está descartada a aliança com o PSDB. Juntos, esses cinco partidos têm 393 deputados. O equivalente a 76,6% das cadeiras da Câmara. Duas dessas agremiações, o PPB e o PFL, derivam diretamente da Arena (Aliança Renovadora Nacional), sigla que deu sustentação ao regime militar (64-85) e que perseguiu politicamente FHC nos anos 60 e 70.
O amplo leque de partidos que apóia o presidente atende a um de seus objetivos. FHC costuma dizer que deseja alianças ‘‘de A a Z’’. Apesar da oficialização da candidatura, a Lei Eleitoral determina que as campanhas só podem começar a partir de 5 de julho. Depois de ficar vários meses à frente de seu principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva, o tucano FHC agora aparece empatado com o petista nas pesquisas de opinião.
No último levantamento do Datafolha, realizado nos dias 8 e 9 passados, FHC obteve 33% contra 30%. Esse empate técnico - por causa da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais -também ocorre num eventual segundo turno. Para reverter essa adversidade apontada pela pesquisa, FHC pretende atacar o que os seus assessores lhe dizem ser a maior preocupação do eleitorado: o aumento do desemprego.
A taxa de desemprego está em 7,94% e é uma das maiores dos últimos dez anos, segundo o IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A estratégia de FHC será dizer ao eleitor que dará um tratamento ao desemprego semelhante ao que deu para a inflação. Em junho de 94, a inflação anual era de 5.167%. Hoje, é de 3,12%.

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