Apesar da validade da Lei da Ficha Limpa já para as eleições deste ano, eventuais mudanças na seleção de candidatos pelos partidos políticos não devem ocorrer a curto prazo. Presidentes de partidos alegam que as siglas já possuem as suas regras para selecionar os concorrentes. Eles foram ouvidos pela FOLHA um dia depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir que a Lei da Ficha Limpa é constitucional. Pela lei complementar 135/2010, aprovada pelo Congresso Nacional com base num projeto de lei de iniciativa popular, pessoas com condenação judicial transitada em julgado ou por órgão colegiado não terão direito ao registro na Justiça Eleitoral.
Segundo o presidente do PPS no Paraná, deputado federal Rubens Bueno, a aprovação da Ficha Limpa é um incentivo para que a sociedade manifeste mais interesse pela política. ''O STF decidiu o que todos queríamos, sem dúvida é um grande avanço para melhorar a imagem do processo eleitoral.'' Bueno afirmou que o PPS tem uma norma interna estabelecendo que os integrantes que eventualmente tenham problemas com a Justiça não podem requisitar registro de candidatura. ''Nossos integrantes sabem disso e não adianta nem pedir para se candidatar se tiver algum problema.''
No PT, de acordo com o presidente estadual do partido, deputado estadual Ênio Verri, as regras existem também para o ingresso de um novo filiado. ''Desde a fundação da sigla, há 32 anos, se alguém que já teve mandato quiser entrar, vai passar pela avaliação do diretório.'' Ele explicou que para as pessoas que ainda não tiveram mandato, a entrada na legenda é mais simples, porém, ''quem quiser concorrer numa eleição deve passar pelo crivo do partido''.
Apesar das comemorações em torno da aprovação da Ficha Limpa, o deputado etadual Élio Rusch, presidente do DEM no Paraná, afirmou que não deve haver mudanças radicais nas legendas. ''É um começo, mas ainda tem que acontecer a reforma política, que está sendo discutida há tanto tempo.''
A reportagem também tentou falar com os presidentes estaduais de outros partidos, mas os celulares estavam desligados ontem.
Julgamento
No STF, quinta-feira, a Lei da Ficha Limpa recebeu o apoio de sete dos 11 ministros da corte: Rosa Weber, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello. Seis desses sete entenderam que a lei deve ser aplicada inclusive para condenações e renúncias que ocorreram antes de sua promulgação, em junho de 2010. Só Marco Aurélio votou diferente. Para ele, a lei só poderia atingir fatos ocorridos após sua entrada em vigor. Já os ministros José Antonio Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cezar Peluso votaram contra a principal mudança proposta pela lei - a possibilidade de barrar políticos condenados por órgãos colegiados.

Imagem ilustrativa da imagem Partidos alegam que já fazem 'crivo' de candidatos
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