Partidos alegam que faltam recursos para mudar programas
Apesar de o horário eleitoral gratuito se encerrar no próximo dia 30, a maior parte dos oito partidos e coligações na disputa pela Prefeitura de Londrina estuda implantar, nos próximos dias, algum tipo de recurso voltado ao eleitor portador de deficiência auditiva.
Entre os coordenadores de campanha ouvidos pela Folha, os motivos mais alegados para a ausência de expedientes como intérpretes nos programas foram ou a falta de recursos ou de estrutura para a iniciativa. Pela coligação ''Bem Londrina'', do candidato à reeleição Nedson Micheleti (PT), o coordenador de comunicação Luciano Bittencourt informou que, ''havendo demanda, resta ver o alcance que um recurso desse tem'', disse. ''Faremos nos próximos dias uma edição voltada aos portadores de deficiências especiais e o utilizaremos'', completou Bittencourt.
Na coligação ''A Vitória do Povo'', do ex-prefeito Antonio Belinati (PSL), a estimativa é que o intérprete traduza as propostas do partido pela Língua Brasileira de Sinais (Libra) aina esta semana. Quem garante é o vice na chapa e coordenador dos programas, vereador Carlos Bordin (PP), segundo o qual a medida só não foi adotada antes o horário eleitoral começou dia 17 de agosto por ''falta de sintonia nossa''. Conforme Bordin, parte dos candidatos a vereador também deve lançar mão do recurso.
Um dos coordenadores de comunicação da coligação ''Londrina Melhor'', de Luiz Carlos Hauly (PSDB), Wagner Rodrigues, declarou que a tradução para as Libras não é prioridade para o grupo ''porque o Hauly visita várias entidades voltadas aos portadores de deficiência'', argumentou , mas não está de todo descartada. ''Diariamente é difícil que adotemos a prática, mas pelo menos em um programa temático usaremos, sim'', assegurou.
Pelo PTB da coligação ''Londrina Muda pra Melhor'', de Alex Canziani, o diretor de campanha Carlos Macchia destacou que o uso do recurso ''lettering'' (via gerador de caracteres corrente, na tela) foi o meio encontrado para atender esse segmento do eleitorado. ''Como nosso tempo é dos menores, temos de ser os mais dinâmicos possível'', justificou.
O PMDB da candidata Elza Correia foi um dos partidos que refutou a idéia de fazer uso de intérpretes na programação de TV. Conforme um dos coordenadores de campanha, Luiz Figueira de Mello, a razão é essencialmente financeira. ''Contamos basicamente com ajuda de voluntários, não há como recorrer a inovações como essa'', sentenciou.
O mesmo deve ser seguido pelo PV de Naudemar Nascimento e pelo PDT de Barbosa Neto, avisaram os respectivos coordenadores, Ricardo Maruch e Domingos Pellegrini Junior. ''Nossa campanha é paupérrima'', apontou Maruch. Para Pellegrini, as ''sérias dificuldades de estúdio e estrutura'' também devem ser agentes limitadoras para o grupo fazer o investimento.
O produtor Wilson Rodrigues Vieira, da coligação ''Londrina Feliz'', de Félix Ribeiro, admitiu que as propostas em Libras nem chegaram a ser cogitadas para veiculação. Entretanto, ele sinalizou com a possibilidade de implantá-la em razão do pouco tempo de TV um minuto e 40 segundos. (J.G.)





