Partidos agem como quadrilhas, diz CNBB
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quarta-feira, 28 de setembro de 2005
Hudson Corrêa<br>Folhapress 
Brasília - O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Majella Agnelo, disse ontem que às vezes se sente tentado a pensar que partidos políticos agem como quadrilha de bandidos no Congresso Nacional. Ele afirmou ainda que a crise política é mais ampla do que se podia imaginar. Dom Geraldo defendeu uma reforma política e disse que certamente o Congresso não pode estar 100% corrompido, se não seria melhor fechar tudo e a democracia.
Segundo o presidente da CNBB, os casos de corrupção no Congresso trazem profunda inquietude. A impunidade seria um descalabro. Não podemos confiar em um Congresso Nacional que não seja capaz de apontar a corrupção e agir de acordo com a Justiça, afirmou.
O vice-presidente da CNBB, dom Antônio Celso de Queirós, disse que ainda não ficou comprovada a corrupção de deputados ameaçados de cassação, mas afirmou que a impunidade pode prevalecer. É lamentável que se puna a nova safra e os corruptos antigos fiquem, afirmou.
A reforma política, segundo dom Geraldo, deve começar pelo sistema eleitoral de tal modo que possa haver participação de todos e não privilégios a candidatos que têm mais dinheiro [nas campanhas].
Dom Antônio mostrou, porém, pessimismo com relação a reforma política. Sem ela não vai acontecer nada de novo no país. Acontece que talvez não haja mais tempo, porque a Constituição manda que se faça isso com antecedência das próximas eleições. Essa reforma ficou aí cozinhando em fogo lento, afirmou o vice-presidente.
Ele reclamou também da constante mudança [troca] de ministros porque um começa a encaminhar uma coisa e depois volta à estaca zero, mesmo na área de educação, afirmou. O ex-ministro da pasta Tarso Genro deixou o governo para assumir a presidência do PT. Para dom Geraldo, os partidos não lutam por seus programas de governo, após as eleições.
A CNBB comunicou ontem que mandou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo a suspensão do projeto de transposição das águas do rio São Francisco. O programa orçado em R$ 4,5 bilhões consiste em desviar águas para irrigação nos Estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.
Desde segunda-feira, o bispo de Barra (BA), dom Luís Flávio Cappio, está em greve de fome para pedir a suspensão do projeto em Cabrobó (PE). Permanecerei em greve de fome, até a morte, caso não haja uma reversão da decisão do projeto de transposição, comunicou o bispo. Nós respeitamos a decisão do [bispo] e não podemos impedir a não ser por conselho e orações, disse dom Geraldo. Não entramos em dados técnicos, só reclamamos que a sociedade não foi suficientemente esclarecida e não participou da discussão [sobre o projeto], afirmou o presidente da CNBB.


