Com 17 anos de existência, o PT conquistou 117 prefeituras e dois governos de Estado. O partido tem 49 cadeiras na Câmara dos Deputados, cinco no Senado e 92 nas Assembléias Legislativas dos Estados. Apesar de os números apresentarem um partido consolidado e que cresceu - sua bancada veio dobrando desde 1982 e o porcentual de crescimento só baixou para a casa dos 30% nas últimas eleições - até hoje o PT não conseguiu romper com a imagem de que só sabe fazer oposição. Qual é, afinal, a proposta concreta de governo do PT?
‘‘O PT tem de oferecer alternativas concretas, senão, parece que não tem o que dizer’’, analisa o cientista político Fabiano Santos, do Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj). ‘‘Se o partido acha que a reforma administrativa do governo federal está errada, tem de mostrar porque, com dados’’. Segundo ele, enquanto a direção nacional do PT não soube firmar uma identidade de um partido que faz, a ala à esquerda limita-se a apenas dizer o que não quer.
A crítica não vem só de fora. ‘‘Nós temos esboços de programa’’, afirma o deputado José Genoíno. ‘‘Os encontros nacionais acabam apenas originando proclamações ideológicas, sem que o partido defina qual o seu projeto de desenvolvimento político e econômico para o País’’. O vice-presidente nacional do PT, Luiz Dulci, discorda, no entanto, de seu aliado na corrente da maioria.
Ele considera que esta é uma acusação equivocada para reduzir a importância do partido. ‘‘O PT apresentou um projeto de renda mínima, por meio do senador Eduardo Suplicy (SP), uma detalhada proposta de reforma da Previdência do deputado Eduardo Jorge (SP) e um projeto que pedia a extinção da Justiça Militar de autoria do deputado Hélio Bicudo (SP)’’, exemplifica Dulci.
A diligência do PT no Congresso, no entanto, não sensibilizou o eleitor, que enxergou no partido um inimigo ao plano econômico que estabilizou a moeda e, dessa forma, fez com que Lula sequer emplacasse o segundo turno das eleições presidenciais de 1994. Hoje, o PT sabe que bater no Plano Real sem oferecer a contrapartida de um projeto econômico contemplando também a estabilidade monetária é estar na contramão do eleitorado. ‘‘O que precisa ficar claro é que o PT não é contra a queda da inflação nem contra a moeda forte’’, diz o ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, que defende a candidatura de Dirceu.
Nem o grupo à esquerda do partido se propõe a radicalizar no combate ao Plano Real. ‘‘Não vou atacar o Plano Real, mas mostrar que a simples estabilização da moeda é apenas uma nova forma de acumulação capitalista’’, aponta Milton Temer. ‘‘Nosso projeto aponta que pode-se ter uma moeda estável com a melhoria da distribuição de renda, o financiamento da pequena e média empresa e a manutenção das companhias estatais rentáveis’’.

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