Curitiba - O PPS questionou ontem a lista divulgada pelo Ministério Público (MP) do Paraná e que informava sobre o número de parentes até 3º grau, de ocupantes de cargos de comissão ou de confiança, empregados no Executivo. Conforme divulgado pelo MP, o governador licenciado Roberto Requião (PMDB), candidato à reeleição, nomeou para exercer cargos comissionados seis de seus parentes - na Secretaria de Educação, na Superintendência do Porto de Paranaguá, no Museu Oscar Niemeyer, na Sanepar, na TV Educativa e na Cohapar. A lista é parte de uma investigação que o MP realiza a respeito da existência do nepotismo nas administrações públicas do Estado e da Capital.
O advogado Luiz Fernando Pereira, do PPS, sigla responsável pelo pedido de investigação sobre o caso, disse que o governo do Estado ''não atendeu na íntegra o pedido do MP'', já que a existência do nepotismo cruzado não foi informada ao órgão. ''Tem secretário estadual, por exemplo, que tem parentes empregados em outras secretarias'', explica. Pereira também acusa o governo de ter omitido informações. ''Onde estão os parentes do vice-governador licenciado Orlando Pessuti?'', cita.
De acordo com a lista do MP, os secretários estaduais Nestor Celso Imthon, Nivaldo Passos, Airton Pissetti e Cláudio Xavier informaram possuir parentes (um cada um) empregados em suas respectivas pastas. Pereira informou que hoje irá requerer ao MP as informações que estariam faltando na lista. A assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu informou que entregou todas as informações solicitadas e acrescentou que, se há falta de dados, o governo do Estado só poderá fornecê-los se houver uma nova solicitação por parte do MP.
Pereira reclamou ainda do fato do MP ter divulgado somente a quantidade de parentes, e não os nomes de cada um deles. O sigilo dos nomes, conforme despacho da promotora Terezinha de Jesus Souza Signorini, da Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público, ocorre porque a divulgação ''no curso da investigação pode revestir-se unicamente sob a forma de publicidade negativa (...), que estigmatiza a pessoa antes da condenação''. No despacho, a promotora também argumenta que o ''atual momento, de corrida eleitoral'' pode fazer com que os nomes sejam usados com ''sensacionalismo'', o que prejudicaria o interesse social. O advogado informou que entrará hoje com uma medida judicial com pedido de liminar para que os nomes sejam divulgados pelo MP.

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