Arquivo folhaNa filaRoberto Requião: poucas chances de ser o candidato do PMDB à presidênciaOs ministérios da Justiça e dos Transportes e a Secretaria de Políticas Regionais são apenas a parte mais visível do PMDB no poder. O que está em jogo no resultado da convenção nacional que o partido realiza neste domingo, a partir das 9h, é muito mais do que a escolha entre o candidato próprio e a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Da aprovação da tese da reeleição depende a permanência de centenas de cargos federais nas mãos de pessoas indicadas por deputados e senadores peemedebistas - o que representa prestígio e poder junto às suas bases em tempo de campanha eleitoral.
Só o Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) tem pendurados 95 cargos em Brasília e nas superintendências regionais de 15 Estados, todos entregues a apadrinhados de parlamentares do PMDB. O posto de presidente do DNER é indicação do prefeito de Contagem (MG), Newton Cardoso, que foi para a televisão pedir votos para o candidato próprio do partido ao Palácio do Planalto, mas, segundo garante um dos comandantes da ala governista, liberou seus seguidores para votar com o governo na convenção.
O resultado da convenção pode até não comprometer a participação de peemedebistas nos postos do primeiro escalão do governo, onde estão alojados os maiores aliados de Fernando Henrique na batalha para aprovar sua recandidatura ao Planalto. Afinal, o próprio presidente já deixou claro que não pretende retaliar, sobre seus aliados, a rebeldia do partido. Por esse raciocínio, os ministros Eliseu Padilha e Íris Resende (Justiça), que deixam seus postos em 2 de abril para concorrer às eleições de outubro, poderão até participar da escolha de seus sucessores.
Mas isso não quer dizer que não haverá muitas demissões de peemedebistas nos Transportes, caso o partido surpreenda o governo negando-lhe a reeleição. Além do fiel ministro Eliseu Padilha, o PMDB tem, dentro da estrutura do Ministério, o secretário nacional de Desenvolvimento, o secretário nacional de Transportes Terrestres e mais 15 assessorias de nível superior, todos indicados por setores diversos da bancada.
O caso do secretário de Políticas Regionais, Fernando Catão, é ainda mais complicado. Um dos focos de rebeldia contra o governo é justamente a Paraíba, do cunhado do secretário, o senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB), que declarou seu voto a favor da candidatura do ex-presidente Itamar Franco. Catão só não deixou o governo semana passada para não prejudicar a estratégia dos governistas de garimpar votos entre os 46 convencionais paraibanos. Mas o resultado pode comprometer pelo menos uma das quatro diretorias nacionais do DNER. O diretor de administração está na cota do PMDB da Paraíba.
A partilha dos cargos federais nos Estados é feita entre PMDB e seus aliados PFL, PSDB, PPB e PTB. O governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto (PMDB), por exemplo, tem em sua cota a presidência da Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal). Dono do PMDB e do PFL do Maranhão, o ex-presidente José Sarney (AP) corre o risco de perder postos importantes em Brasília e no Estado. Os governistas contabilizam como indicações de Sarney e seus aliados os superintendentes do DNER e do Ibama no Maranhão e o presidente da Telma, a empresa estadual de telecomunicações. Sarney também controla a diretoria-financeira da Eletronorte.

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