Salvador - Resolução do Diretório Nacional do PT aprovada sábado, em Salvador, mapeia os ministérios de interesse do partido no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, listando áreas que considera ''estratégicas'' e que hoje são ocupadas por partidos aliados.
O texto traz as habituais críticas do PT ao Banco Central e, na área da comunicação, fala na ''importância'' de estimular o que considera ''uma mídia privada progressista''. Os dirigentes do partido consideram que os meios de comunicação foram derrotados pela reeleição de Lula, atribuindo a eles uma campanha para enfraquecer e desestabilizar o primeiro mandato do petista.
Na prática, a resolução oficializa a intenção do PT de aumentar seu poder de influência no segundo mandato de Lula. Fortalecido pela vitória de Arlindo Chinaglia (SP) na disputa pelo comando da Câmara, o PT afirma que essas pastas ''estratégicas'' devem ser ocupadas por ''quadros'' e ''equipes'' ''harmonicamente sintonizadas'' com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
De acordo com o texto, estão nessa lista os ministérios das áreas social, de infra-estrutura, economia e suas estatais correlatas, além da área da Comunicação, para a qual o partido dedica boa parte do documento. Todas essas pastas estão na cota política de aliados de Lula.
O eixo da infra-estrutura - Cidades, Transporte, Minas e Energia e Integração Regional- é o principal objeto de desejo das legendas que formam a coalizão do governo Lula e têm criticado o ''apetite'' do PT. Esses aliados reivindicam o direito de indicar os nomes que acharem convenientes para ocupar os cargos, o que contraria radicalmente o documento.
De outro lado, o texto atende a interesses de ''estrelas'' petistas como Marta Suplicy, cotada para uma vaga na Esplanada. A ex-prefeita tem especial interesse na pasta de Cidades, hoje nas mãos do PP.
''A resolução pretende mostrar que o PT tem quadros para enfrentar o debate da despetização dos ministérios'', disse o deputado José Pimentel (CE).
Hoje, dos 34 cargos com status de ministério no governo, 16 estão nas mãos dos petistas. Após a vitória no segundo turno da eleição, o presidente Lula sinalizou que gostaria de montar uma coalizão mais ampla do que a do primeiro mandato. Para isso, poderia diminuir a fatia de pastas nas mãos de petistas, fortalecendo a posição do PMDB e de demais aliados.
O presidente da sigla, Ricardo Berzoini, um dos principais formuladores do documento, negou ver nele uma voracidade do partido por cargos. ''Quadros sintonizados não são necessariamente do PT'', disse.

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