Partido deve perder 15% dos votos de 2002
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sábado, 17 de setembro de 2005
Mariana Caetano<br> Agência Estado 
São Paulo - Seja qual for o resultado da disputa pelo comando partidário, o PT terá de mudar sua estrutura e rever o papel das correntes internas. Ainda que renovada, a legenda perderá 15% dos votos que obteve em 2002. O baque só deverá poupar o presidente Lula se ele for capaz de implementar um novo modelo de desenvolvimento.
A análise é do presidente interino do PT, Tarso Genro. ''O PT terá certa perda nas camadas médias, que farão uma advertência ao partido'', afirma. Lula pode escapar do prejuízo porque ''tem condições de recompor a sua base política, o imaginário da esperança, obviamente a depender do que vai ocorrer neste último ano de governo''.
Para Tarso, se o PT ''não influenciar decisivamente os rumos do final do governo Lula'' e o programa para o próximo mandato, ''o partido perderá o sentido da sua existência''. Seria, então, uma máquina burocrática de repasse de decisões do governo ou poderia se transformar num partido tradicional ''que não faz nenhuma falta no cenário brasileiro''.
A legenda deve interferir decisivamente no sistema de alianças, no programa de um novo mandato e, de imediato, na execução orçamentária. O presidente interino do PT tem repetido, quase como um mantra, que a estabilidade macroeconômica não pode ser tomada como um fim em si mesma, mas como uma ''ponte'' para um modelo com taxas de juros menores, para a ampliação nos investimentos públicos, de forma a garantir maior inclusão social.
Tarso define como extremamente positivo o fato de que nenhuma tendência interna do PT deverá alcançar maioria isolada no comando da legenda nas eleições de hoje. ''Espero ter colaborado para isso'', diz, com sorriso no rosto. ''Para não transgredir certos princípios'', desistiu de representar o Campo Majoritário na corrida pela presidência do partido.
Não aceitou a permanência do ex-chefe da Casa Civil, deputado José Dirceu (SP), na chapa do Campo grupo moderado, forjado pelas mãos de Dirceu, que domina o PT há uma década. Tarso atribui ao deputado e ao grupo ''responsabilidade política'' pela crise. Isso inclui a submissão do partido ao governo, o bloqueio da democracia interna e consequente deformação do papel das correntes.
''O direito de tendência deve ser mantido, mas as tendências sofreram um processo de deformação nesse último período, por duas razões fundamentais: não há uma direção coletiva do partido e o debate estratégico e político interno foi bloqueado'', explica Tarso. Cada corrente, diz ele, age isoladamente nas 14 secretarias da legenda, sem qualquer conexão na Comissão Executiva Nacional, que cuida do dia-a-dia do PT. ''Há direções paralelas a partir de cada secretaria e uma presidência que funciona numa representação política nacional.''


