Partido deve anunciar definição só na terça-feira
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sexta-feira, 03 de julho de 2009
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - O PT não deve desafiar o presidente Luiz Inácio Lula nem pôr em risco seu projeto em 2010, enxotando o PMDB do senador José Sarney (AP) do comando do Senado. Mas o partido decidiu adiar o anúncio oficial da posição partidária em relação a Sarney para a próxima terça-feira, dia 7, aproveitando a revelação da casa de R$ 4 milhões do presidente do Senado, não declarada à Justiça Eleitoral.
''Vamos refletir até terça-feira sobre todos os fatos que não param de acontecer e dar tempo para que Sarney possa esclarecer este fato novo'', justificou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
O novo prazo do PT e o problema com a casa não preocupam o PMDB. A cúpula peemedebista avalia que a nova denúncia não muda o curso do entendimento com o PT. Tanto é assim que, segundo um dirigente do partido, a conversa de Sarney com Lula foi ''ótima'', inclusive porque, desde a véspera, o presidente já sabia do problema da casa não declarada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Alguns petistas, no entanto, ponderam que é bom aguardar o desenrolar do noticiário, na expectativa de que uma nova denúncia possa fazer com que Sarney renuncie ao cargo. O PT, mesmo, nada fará para derrubá-lo.
A maior dificuldade do líder Aloizio Mercadante (PT-SP) hoje é administrar a rebeldia da senadora Marina Silva (PT-AC). A avaliação de um dirigente do partido é de que Eduardo Suplicy (PT-SP) não será obstáculo ao acordo com o PMDB, nem tampouco Tião Viana (PT-AC). Depois da derrota para Sarney na sucessão do Congresso, Mercadante entregou a Viana a tarefa de elaborar o anteprojeto de uma nova Lei de Responsabilidade Administrativa e Fiscal do Senado, para dar-lhe um discurso que justifique a manutenção de Sarney.
Não é o caso de Marina, que está magoada com o Planalto e se considera ''alijada do jogo político e partidário'' desde que deixou o ministério do Meio Ambiente e, de volta ao Senado, ainda perdeu o comando da Comissão de Mudanças Climáticas. Foi ela a razão principal do adiamento da posição do partido.
Um integrante da bancada revela que Mercadante optou por não atropelar a colega, para evitar um confronto público entre os dois e mais desgaste diante da opinião pública. A cobrança de eleitores petistas contra o acerto com Sarney é grande e a preocupação do líder, maior ainda. Afinal, o partido também precisa de unidade interna para se fortalecer na base governista e não acabar ''engolido'' pelo PMDB.


