Partido desmente Boca Aberta e nega mensagem de apoio
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quarta-feira, 28 de junho de 2017
Guilherme Marconi<br>Reportagem Local 

O vereador Emerson Petriv (PR), o Boca Aberta, foi desmentido pelo Diretório Estadual do PR (Partido da República) que encaminhou um documento oficial da sigla para a Câmara Municipal de Londrina. Isso porque Boca Aberta divulgou uma carta em nome do presidente estadual do partido, deputado federal Fernando Giacobo, e do vice-presidente estadual da legenda, deputado federal Luiz Nishimori. A mensagem foi divulgada nas redes sociais do parlamentar e lida na sessão plenária da Câmara na última quinta-feira (22).
"Esta nota de repúdio é de total desconhecimento dos membros do diretório. Deixamos claro que qualquer manifestação, seguimos o código de ética partidário", conclui a carta assinada pela secretária-geral do diretório do PR, Stela Costa, de Cascavel, na última sexta-feira (23).
A resposta é contra a suposta carta de repúdio divulgada por Boca Aberta que alegava que a tentativa de abertura de CP (Comissão Processante) contra ele seria um complô dos demais vereadores e da Mesa Executiva da Câmara. O vereador cita ainda o nome dos dois deputados federais que estariam repudiando a "manobra a fim excluir alguém da política, apenas pelo que este representa".
Procurado pela FOLHA nessa quarta-feira (28), Boca Aberta afirma que a carta divulgada foi encaminhada pelo diretório estadual por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp. O vereador, contudo, não soube responder quem foi o remetente do documento lido por cerca de três minutos na sessão da Câmara. "Se essa secretária do diretório fala que é falso, eu nem a conheço, a carta que eu li foi enviada espontaneamente pelo partido", explicou. Boca Aberta ainda acusa o partido de nunca ter lhe ajudado na campanha para vereador. "Eu sou da liderança do partido na Câmara, mas esse partido nunca me ajudou."
Procurado pela reportagem, o deputado federal Fernando Giacobo não quis gravar entrevista sobre o assunto, mas sua assessoria de imprensa informou que ele nunca assinou carta em apoio ao vereador. O vice-presidente da legenda, Luiz Nishimori, não foi encontrado.
Essa não é a primeira polêmica sobre o assunto, os procuradores jurídicos da Câmara já publicaram nota em apoio ao procurador jurídico da Câmara, Miguel Aranega Garcia, que teve uma conversa gravada, sem autorização, pelo vereador.
PRAZO DE DEFESA
O vereador tem prazo até sexta-feira (30) para apresentar defesa contra denúncia encaminhada pela Mesa Executiva da Câmara por ato incompatível ao decoro parlamentar que pode levar à abertura de uma CP (Comissão Processante). A denúncia acusa Boca Aberta de usar as redes sociais para pedir doações sob falsos argumentos, ou seja, teria escondido a intenção de pagar uma multa eleitoral de R$ 8 mil. O vereador nega as acusações alegando que o pedido foi espontâneo e que o dinheiro arrecadado foi ínfimo e doado para duas instituições. A defesa dele tenta ainda judicializar o processo para invalidar os artigos utilizados na denúncia.


