Partido de Bolsonaro, PSL evita apoio e libera bancada para atos pró-governo
O próprio presidente também desiste de participar de manifestação deste domingo; rachados, grupos de direita adaptam pautas para o evento
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quarta-feira, 22 de maio de 2019
O próprio presidente também desiste de participar de manifestação deste domingo; rachados, grupos de direita adaptam pautas para o evento
Daniel Carvalho/Folhapress 

Brasília - O PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, decidiu não apoiar institucionalmente as manifestações do próximo domingo (26) para evitar atritos com outras legendas e a associação da sigla com bandeiras polêmicas, como intervenção militar, já que a pauta dos atos é ampla.
Em uma reunião sem a presença dos principais integrantes do partido que se posicionaram contra a realização das manifestações e sem os dois filhos de Bolsonaro com mandato no Congresso, ficou decidido liberar os quadros que quiserem ir aos atos.
Em reunião ministerial, Bolsonaro pediu aos integrantes de sua equipe que não compareçam às manifestações em apoio ao governo. O próprio presidente desistiu de participar dos atos.
"É um movimento da rua e a gente não sabe, alguns militantes podem levar uma faixa e dizer 'o presidente do PSL, Luciano Bivar, é um corrupto'. Como você pode controlar isso? Isso é uma preocupação porque é um movimento espontâneo, que não foi criado nem pelo governo nem pelo partido", disse Luciano Bivar, presidente nacional do PSL.
"Tem pautas que vão ser posicionadas ali, na espontaneidade, que não são necessariamente a pauta do presidente Bolsonaro, a pauta do governo. Se respeita isso porque é uma manifestação popular. Se vai alguém ali 'eu quero que feche o Congresso, eu quero GLO [Garantia da Lei e da Ordem], intervenção militar', como cidadão, como senador, não concordo com isso", disse o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP).
Bivar diz não ver sentido nas manifestações, mas participará de algum dos atos no domingo.
Além da preocupação com eventuais bandeiras que surjam, existe um receio de piorar ainda mais a relação do governo com outras siglas do Congresso.
"A gente está tão bem com os outros partidos que a gente tem receio de que leve isso para um lado partidário, um lado de conservadorismo, de que o PSL é contra o Parlamento de uma maneira geral", reconheceu Bivar.
Com movimentos de direita rachados, grupos que organizam as manifestações adaptaram o discurso para excluir motes radicais e tentar ampliar a adesão de apoiadores do governo Bolsonaro.
Se na semana passada as pautas que despontavam para a manifestação eram as de fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal), agora o foco, ao menos oficialmente, se fecha no grupo de partidos do centrão, que será apontado como responsável por paralisar o governo.
Mas não é só isso. As bandeiras anunciadas pelos mobilizadores se desdobraram tanto nas últimas horas que resultaram em um bloco difuso.
As convocações falam também em demonstrar apoio à reforma da Previdência e ao pacote anticrime do ministro Sergio Moro (Justiça), pedir a continuidade da Operação Lava Jato e defender a obrigação do voto nominal como estratégia para constranger parlamentares em projetos polêmicos.


