Partido coloca Lula no Diretório Nacional
O PT está ficando sem medo de ser feliz. Ao contrário das previsões dos próprios militantes, o 11º Encontro Nacional do partido, encerrado ontem, no Rio, não foi marcado por disputas fratricidas, xingamentos, vaias e gritos de traidor, tão ao gosto do PT em suas convenções internas. Mas houve um momento de tensão maior, num episódio inusitado. Como no encontro passado, realizado em 1993, foi levada ao plenário a proposta de que o presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, que não estava concorrendo ao diretório nacional por nenhuma chapa, tivesse seu nome aclamado para a direção.
Trata-se de uma questão estratégica. Lula não quer ver seu nome vinculado à alguma tendência. A oposição acha que ele tem de fazer parte do diretório, mas dentro de uma chapa, como manda o regimento - mais do que uma questão legalista, a esquerda quer ver Lula assumir que atua pela Articulação. Portanto, o plenário do encontro ensaiou uma guerra por um ponto em que todos concordavam: que Lula deve pertencer ao diretório. Depois de muita discussão, ficou decidido que ele faria parte do diretório sem estar em chapa alguma.
Slogans Fora isso, mesmo a questão crucial da política de alianças foi debatida em plenário com bom-humor. A corrente que defendia o lançamento agora da candidatura de Lula começou a bradar: Não quero Ciro nem Itamar, eu quero é Lula-já. Do outro lado, responderam: Olê, olê, olá, aliança é Lula-lá. A guerra de slogans durou 15 minutos, com os petistas ensaiando coreografias, ao melhor estilo de auditório de TV.
Para não acirrar os ânimos, a mesa-diretora do encontro decidiu não dividir o plenário na tradicional esquerda e direita. Os militantes eram definidos como os que estão à esquerda da mesa e os que estão à esquerda do plenário. Mas a maior prova de boa-vontade aconteceu durante o discurso do deputado federal José Genoíno (SP), na defesa de sua chapa Democracia Radical. Tido como a principal personalidade da ultra-direita do PT, Genoíno foi o único a ser aplaudido de pé pelo plenário.





