Participantes reclamam do excesso de filosofia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de dezembro de 1996
Sucursal de Curitiba 
Os prefeitos eleitos que participaram do encontro com o governo, na Universidade do Professor, em Faxinal do Céu, saíram um pouco frustrados com o excesso de teoria que receberam dos palestrantes. Eles ficaram de quinta-feira até anteontem à noite mergulhados em assuntos pouco debatidos. Os participantes ouviram falar de correntes filosóficas, teorias sociológicas e história da humanidade.
Isso aqui está sendo um monólogo sem fim, definiu o prefeito eleito de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB). Foi interessante conhecer prefeitos que vão administrar municípios próximos a Maringá, afirmou o prefeito eleito Jairo Gianotto (PSDB), que dividiu alojamento com o prefeito eleito de Maripá, Eliseu Spagnol (PPB).
Os prefeitos optavam pelas conversas com os secretários de Estado. Não estamos acostumados com cultura e as palestras foram muito profundas, avaliou o prefeito eleito de Marilândia do Sul, Ivan Beligni (PTB). Ele confessou que jamais tinha ouvido falar em alguns filófosos e escritores como o poeta João da Cruz.
Mesmo sem discutir política de maneira aberta, o governador Jaime Lerner conseguiu capitalizar politicamente. Depois que explicou que o programa Paraná 12 Meses está encalhado no Senado, os prefeitos decidiram ajudar o governo. Eles assinaram uma carta, que pede à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado a liberação do financiamento.
O documento repudia a atitude do senador Roberto Requião (PMDB). O senador foi o autor do pedido de informações que barrou a tramitação do projeto que autoriza o empréstimo de US$ 175 milhões junto ao Banco Mundial. O governador afirmou ainda que a resposta que o governo encaminhou à comissão do Senado pode ser analisada hoje. (C.M.)


