Participação feminina nas eleições é baixa
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quinta-feira, 13 de julho de 2006
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) orientar que pelo menos 30% das chapas proporcionais devem ser ocupadas pelo gênero em minoria, ainda é baixo o número de mulheres paranaenses disputando uma vaga à Assembléia Legislativa ou à Câmara Federal. Levantamento feito pela Folha com base em dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) apontam que pouco mais de 90 candidatas estão inseridas no universo superior a 830 nomes computados para essas vagas.
O cálculo é feito separadamente entre deputados federais e estaduais, dentro ou fora de coligações. Apesar de não ser obrigatória, contudo, a determinação exclui a possibilidade de as vagas não preenchidas por mulheres, por exemplo, serem providas por candidatos.
A presença mais efetiva de candidatas se deu nas coligações PPS/PFL, com 15 nomes em um total de 128 postulantes, e PTN/PMN/PTC/PRONA/PTdoB, onde, de 123,
16 são mulheres. Outra coligação expressiva em número de candidatos, a PMDB/PSDB também não assinalou 30% com as 18 mulheres entre os 26 federais e 52 estaduais peemedebistas, nem entre os 35 estaduais tucanos. Registrada à parte, a chapa do PSDB para a Câmara também fica aquém da percentagem orientada, com 21 na disputa, e apenas uma candidata. Pelo PV, que não coligou, são 13 figuras femininas no total de 88.
Entre os partidos nanicos, os 30% também não chegaram a ser atingidos: seja desde o PCO, que tem uma única candidata à Assembléia e um a deputado federal, ou ao PSL, no qual, de 18 nomes (seis federais e 12 estaduais), só há nomes no páreo.
Vereador em Londrina, o presidente municipal do PPS, Tercílio Turini, explicou que a adesão ainda é baixa porque há poucas interessadas em filiação partidária. Questionado se o fato está relacionado mais ao traço historicamente masculino que predomina na política ou à falta de informação, Turini arriscou um prognóstico: ''Informação elas têm, tanto que muitos partidos estimulam a participação. Simplesmente não há interesse, o que está mudando mesmo no mercado de trabalho a gente já percebe isso. É questão de tempo'', concluiu.
Já o presidente estadual do PT, deputado André Vargas, acredita que a própria história de participação feminina na formação de lideranças explica a adesão ainda baixa, delas, também no processo eleitoral. ''As mulheres foram desincentivadas a atuarem nesse sentido, mas creio que estamos no sentido inverso desse panorama antigo. Precisamos de cotas de vagas, não percentual'', opinou o parlamentar, lembrando que o PT foi o primeiro partido a criar cota interna de no mínimo 30% de mulheres para composição das executivas e diretórios.


