Parque da Ciência é desperdício, diz Requião
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Leandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Para o governador Roberto Requião (PMDB), a construção do Parque da Ciência, obra idealizada pelo Governo Jaime Lerner (PSB) e construída a toque de caixa no final de 2002 no antigo Parque Castello Branco, na Região Metropolitana de Curitiba, foi um desperdício de dinheiro público. Levantamento feito por um comitê gestor integrado por profissionais e técnicos do atual governo e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) mostra instalações abandonadas, ou por falta de estrutura adequada ou porque para funcionar requerem altos investimentos.
De acordo com o que ficou apurado, Lerner gastou R$ 14,3 milhões somente no último ano de mandato. Os pagamentos dos espetáculos circenses, previstos para acontecer diariamente custaram quase R$ 3 milhões. Cerca de R$ 7,3 milhões gastos foram pagos com recursos do programa Paraná Urbano II e do Fundo Estadual de Meio Ambiente. A Petrobras, através da Lei Rouanet, financiou a outra metade.
''Parece que o parque foi projetado para ter um deslumbre arquitetônico, mas sem função prática. Um exemplo é a estufa gigante que abrigaria flores tropicais, no centro do Mundo do Campo. A lona rasgou porque venta forte na região, e as plantas não nasceram porque é úmido e frio'', disse o engenheiro agrônomo Aírton Brizola, gerente do comitê gestor, em entrevista publicada ontem pela Agência de Notícias do governo. Há também, ainda de acordo com o comitê, erros didáticos; erros na construção das estufas e dos barracões, que não suportam os ventos comuns da região; um esqueleto em concreto de um imenso aquário, que sozinho custaria perto de R$ 400 mil para funcionar com segurança.
A Folha tentou contato com Lerner, mas não conseguiu localizá-lo.


