O Conselho Consultivo do Parlamento Latino-Americano (Parlatino), entidade que congrega parlamentos de 22 países, divulgou ontem um documento contrário à estratégia diplomática e ao comércio de armas dos Estados Unidos na América Latina. O texto, assinado por representantes de dez países, é também mais um elemento na disputa entre o Brasil e a Argentina pela vaga permanente do continente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Elaborado com o objetivo de ‘‘unir as nações latino-americanas contra tentativas de dividir os países e contra os riscos de uma corrida armamentista’’, o documento poderá ser um esboço de um texto mais amplo, e surge justamente no momento em que se aproxima a viagem do presidente norte-americano Bill Clinton à América Latina. Clinton deve vir na primeira quinzena de outubro (provavelmente dia 13), e tem previstas, por enquanto, visitas ao Brasil e à Argentina.
Segundo os analistas, os EUA não vão se pronunciar ou indicar qualquer país para uma cadeira permanente do Conselho de Segurança - e preferem, por exemplo, as presenças de Japão e Alemanha, que ajudariam a pagar a conta da ONU. Mesmo assim, os movimentos internacionais dos EUA são invariavelmente usados nas políticas internas e externas de vários países.
O deputado federal Franco Montoro (PSDB-SP), presidente do Conselho Consultivo do Parlatino disse ontem acreditar que as declarações feitas há cerca de duas semanas pelo presidente argentino Carlos Menem estão ‘‘dentro dessas manobras’’. Segundo ele, os EUA estão interessados na divisão dos povos da América Latina e no fracasso do Mercosul.

mockup