Parlamentarismo volta a ser discutido
César Felício
Agência Estado
De Brasília
A implantação do parlamentarismo para o próximo período presidencial é uma idéia que começa a crescer entre os aliados do presidente Fernando Henrique Cardoso. O assunto ainda é discutido com cautela dentro do Congresso, onde existe na Câmara uma emenda constitucional tramitando desde 1995 que muda o sistema de governo, mas líderes políticos já admitem a aprovação da proposta em um cenário de derrocada econômico, ascensão das oposições e perspectiva de derrota na próxima eleição presidencial.
No momento, não há condições para a mudança, a não ser que a inflação cresça, o desemprego piore, a crise econômica se aprofunde e a imagem do Congresso se fortaleça diante da sociedade com ações como a CPI do Narcotráfico na Câmara, disse o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE).
O líder do PMDB entre os deputados, Geddel Vieira Lima (BA), defendeu a possibilidade com mais vigor: Sou um parlamentarista entusiasmado e entro na briga para ele vigorar em 2002, se for preciso, disse o parlamentar baiano, que recusou traçar um paralelo da situação atual com a que ocorreu em 1961, quando o parlamentarismo vigorou no País por um ano e meio, como uma fórmula de se sair do impasse provocado pela rejeição dos ministros militares em permitir a posse do vice-presidente João Goulart.
Não se pode falar que defender o parlamentarismo é uma saída casuística, já que não se conhece quem será o próximo presidente, argumentou. Mas Geddel acrescentou que a principal vantagem do regime será retirar os poderes de um presidente que venha dos partidos oposicionistas, que são minoritários dentro do Congresso. O parlamento leva ao governo das maiorias congressuais, fruto de acordos feitos às claras, disse o deputado.
O deputado se esquivou de responder se defenderia um terceiro plebiscito para legitimar o novo regime. Em 1963 e 1993, o parlamentarismo foi rejeitado em consultas populares por ampla maioria. A minha defesa do parlamentarismo, por enquanto, é filosófica, já que o assunto ainda não está na ordem do dia, disse.
O crescimento da discussão provoca constrangimentos entre líderes do PSDB, partido que tem a adoção do parlamentarismo como meta em seu programa partidário. Tudo o que a gente não queria é o parlamentarismo mais uma vez sendo usado como remendo para solucionar uma crise, disse o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (AM), que admitiu que dentro do próprio PSDB há tucanos que imaginam a aprovação da emenda como uma saída para a falta de opções no campo governista para concorrer na eleição presidencial de 2002. O parlamentarismo pode vir como uma solução de desespero, lamentou.
Há quem diga para se fazer a mudança tão logo quanto seja possível, sem esperar 2006, disse o deputado, acrescentando que o assunto já está sendo discutido há algum tempo dentro do partido. O parlamentar não quis dizer quem dentro da legenda defende a implantação imediata do parlamentarismo, mas adiantou que o governador do Ceará, Tasso Jereissati, é um dos principais combatentes contra esta idéia.
A emenda parlamentarista que tramita na Câmara foi apresentada pelo deputado Eduardo Jorge (PT-SP) há cinco anos. Ela foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e está atualmente sendo analisada por uma comissão especial, que foi presidida pelo deputado Franco Montoro até a morte do parlamentar, em junho. A morte de Montoro às vésperas do recesso do Congresso paralisou os trabalhos da Comissão, que só foram retomados no final de agosto, com a eleição da deputada Rita Camata (PMDB-ES) para sucedê-lo. Desde então, a Comissão se reuniu uma única vez.Base aliada do presidente Fernando Henrique já conversa sobre o tema, que pode acontecer como uma solução de desespero
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