Parlamentares voltam à carga pela CPI da Navalha
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terça-feira, 19 de junho de 2007
João Domingos<br>Agência Estado 
Brasília - No disputa para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar fraude em licitações e corrupção em obras públicas executadas pela empreiteira Gautama, os partidos de oposição conseguiram ontem alcançar 171 assinaturas, o mínimo para requerer a investigação. Deram seu apoio Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) e João Paulo Toffano (PV-SP). O primeiro havia assinado o requerimento original, mas sua firma não foi reconhecida na semana passada pela direção da Câmara. Assinou de novo.
O grande problema para o apoio à criação da CPI da Navalha - apelido que recebeu porque foi concebida a partir da Operação Navalha, da Polícia Federal - está na Câmara, visto que no Senado obteve 30 assinaturas, três a mais do que o mínimo de 27 senadores. Primeiro, os defensores da CPI disseram ter 173 assinaturas. Mas, ao entregar a relação à Mesa do Senado, verificaram que válidas mesmo existiam apenas 170, porque a de Paulo Pereira da Silva não conferiu. Em seguida, o deputado Lindomar Garçon (PV-RO) recuou. O apoio caiu para 169 assinaturas.
A confusão ainda vai durar, porque tanto pode haver retiradas de assinaturas quanto a entrega de novas. A situação só vai mudar quando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), definir em qual data fará a leitura do requerimento. Aí, o prazo para a retirada ou para o acréscimo de assinaturas termina à meia-noite. No dia seguinte é publicado o ato de criação ou de arquivamento da CPI.
O governo, sob o comando do líder José Múcio Monteiro (PE), continuará a fazer pressão para que parlamentares de sua base retirem as assinaturas. O argumento é que uma CPI sobre obras públicas pode inviabilizar os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), todos eles a cargo de alguma empreiteira.


