Parlamentares saem com verba extra
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quarta-feira, 13 de janeiro de 1999
Leandro Donatti 
Os deputados do Paraná anteciparam para ontem fim do período extraordinário, convocado pelo governo do Estado de 16 de dezembro a 16 de janeiro. O último dia da convocação marcou o encerramento de mandato dos deputados, que voltam para suas bases eleitorais com R$ 12 mil extras pelo trabalho de um mês, incluídos os recessos para os feriados de Natal e de Ano Novo. Os últimos R$ 6 mil brutos per capta, pela desconvocação, foram liberados ontem mesmo pela Diretoria Financeira da Assembléia. Ao todo, a convocação custou R$ 648 mil para os cofres da Assembléia.
Os deputados estaduais aproveitaram o último dia para se despedirem. Dos 54 atuais, 19 não retornam à Casa a partir do dia 1º de fevereiro, quando inicia a nova legislatura. Treze deles foram derrotados nas urnas: Nelson Tureck (PFL), Reny Borsato (PFL), Luiz Carlos Martins (PFL), Toti Colaço (PMDB), Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), Joel Coimbra (PTB), Walmor Trentini (PFL), João Techy (PBB), Marquinhos Alves (PTB), Albanor Gomes (PTB), Irondi Pugliesi (PPB), Emerson Nerone (PSN) e Sâmis da Silva (PMDB). Os três últimos concorreram a uma vaga na Câmara Federal.
Sérgio Spada (PSDB) assume no dia 1º, mas se licencia em seguida para tomar posse como secretário de Defesa do Consumidor. Eduardo Trevisan (PFL), Renato Adur (PMDB), Edson Silva Lino (PPB), Horácio Rodrigues (PL) e Paulo Gorski (PMDB) encerraram seus mandatos por vontade própria. Não concorreram e agora passam a se dedicar à iniciativa privada. Joel Coimbra conseguiu acomodação no governo e responderá pela Procuradoria Geral do Estado (PGE). Irondi Pugliesi também busca nova função. A direção do PPB indicou a deputada para uma das regionais do Ministério do Trabalho.
Desde que foi convocado pelo governo, no dia 16 de dezembro, o período extraordinário dedicou-se exclusivamente para matérias de interesse do Palácio Iguaçu. Em votações rápidas, os deputados do Paraná aprovaram o novo modelo previdenciário para o funcionalismo público estadual, a Paranaprevidência; as regras de cobrança do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para 1999; a autorização para o Banestado se desfazer de todas as suas ações no Del Paraná; e a flexibilização das atividades da Sanepar, preparando-a para a privatização.
Nesse período, a Assembléia Legislativa também mexeu no Estatuto dos Servidores do Estado, reduzindo o período de licenças por problemas de saúde, concedidas ao funcionalismo público; aprovou mensagem autorizando o Poder Executivo a confiscar todas as sobras financeiras, de final de ano, numa única conta junto ao Tesouro Estadual. E por último, na sessão extraordinária de ontem, regulamentou alguns dispositivos do Código do Consumidor, baixando multas e regras rigorosas de fiscalização sobre os postos de combustível e distribuidoras.
Caíto Quintana (PMDB), representando a oposição, e Valdir Rossoni (PTB), representando a base governista, usaram a tribuna. Quintana lamentou a derrota de Romanelli, Toti Colaço, Sâmis da Silva e a desistência de Renato Adur em concorrer. A oposição perde, considerou. Rossoni defendeu o pagamento de R$ 12 mil pelo período extraordinário. Quantas vezes temos de nos sacrificar para estarmos em plenário, ressaltou. Crítico do poder Legislativo, Florisvaldo Rosinha Fier (PT) não quis discursar. A sinceridade me impede de mentir. Acho que teria muitas críticas a fazer.


