Parlamentares reclamam de limite para combustível
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de julho de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As mudanças nas regras do uso da verba de ressarcimento pelos deputados estaduais, que na prática começaram a valer no início deste mês, devem mexer com a rotina dos parlamentares. A Reportagem apurou que, entre as alterações, a que cria um limite de gastos com combustível é vista com preocupação por parlamentares que mantêm bases eleitorais fora de Curitiba.
Levando em conta o valor hoje da verba de ressarcimento, que é de R$ 27,5 mil, até R$ 3,3 mil podem ser gastos com correspondência e telefone, até R$ 9,2 mil com transporte aéreo e terrestre e o restante, até R$ 15 mil, com as demais despesas relativas ao exercício do mandato. Dentro da categoria ''demais despesas'' está o combustível, que não pode ultrapassar 30% daquele valor. Ou seja, os parlamentares agora têm como gastar por mês, com combustível, até R$ 4,5 mil.
A nova regra também define que a eventual ''sobra'' do mês em relação à ''cota'' do combustível não acumula para o próximo mês, ao contrário das demais naturezas de despesas.
''Eu acho que o combustível podia ser maior. Tenho um escritório em Paranaguá, em Pontal e agora vou abrir um em Antonina. A gente tem que atender as bases'', disse o deputado estadual Mário Roque (PMDB).
Antonio Anibelli (PMDB), vice-presidente da Casa, tem opinião semelhante: ''Durante a semana, os carros ficam rodando o interior. A gente gasta muito mais (do que R$ 4,5 mil). Tem que fazer uma mágica, como hoje o trabalhador faz para se manter'', disse ele.
Para Luiz Fernandes Litro (PSDB), a verba de R$ 4,5 mil ''não dá para rodar o Estado''. ''Quem trabalha fica sempre no vermelho. Eu atendo de Guaraqueçaba a Foz do Iguaçu'', reclamou ele.
Pela nova regra, os carros que receberão combustível via verba de ressarcimento também devem ser previamente cadastrados na Assembleia Legislativa. ''Estou com uns sete, oito carros atendendo a população'', conta Litro.
As mudanças no uso da verba de ressarcimento foram aprovadas em abril na Casa dentro de um ''pacote'' de resoluções cujo objetivo era dar mais transparência a atos do Legislativo. Uma das medidas aprovadas na época, e que deve começar a valer no próximo mês, é a divulgação na internet dos gastos relativos ao uso da verba de ressarcimento.


