Parlamentares questionam proposta de José Dirceu
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terça-feira, 04 de maio de 2004
Agência Estado 
Brasília - Foi mal recebida na Câmara e no Senado a proposta do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, de desvincular o salário mínimo dos benefícios pagos pela Previdência Social. As maiores resistências à desvinculação partiram do PT. A previsão tanto de aliados quanto de oposicionistas é de que as chances do Congresso aprovar uma emenda constitucional que acabe com a vinculação das aposentadorias e pensões pagas pelo INSS com o salário mínimo são muito pequenas.
Apesar das resistências, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), anunciou ontem a criação de uma comissão mista, integrada por deputados e senadores, que irá discutir uma política permanente para o salário mínimo e sua desvinculação dos benefícios previdenciários. ''O salário mínimo precisa deixar de ser uma preocupação com o déficit da Previdência. Precisa ter uma política de salário mínimo. A minha idéia é instalar um grupo de trabalho para discutir o salário mínimo de forma perene e não todo o ano o salário mínimo discutir o déficit da Previdência'', afirmou. Ao ser perguntado se era contra ou a favor da proposta do ministro Dirceu, João Paulo limitou-se a dizer que ''esse tema de desvinculação não está em debate''.
Um dos mais irritados com a proposta de desvinculação é o senador Paulo Paim (PT-RS), que tem como bandeira política o salário mínimo e base eleitoral junto aos aposentados e pensionistas do INSS. ''Essa declaração do ministro foi um escorregão. Afinal isso é um erro político tão grande que duvido que o presidente Lula embarque nessa história. Tanto foi assim que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pensou em fazer isso, mas viu a tempo o desastre político que seria fazer essa desvinculação.'' Em sua opinião, a proposta não tem ''chance alguma'' de ser aprovada.


