Parlamentares questionam absolvição de petebista
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2005
Folhapress 
Brasília - O dia seguinte da folgada vitória do deputado Romeu Queiroz (PTB-MG) no processo que pedia sua cassação foi de perplexidade e recriminações ontem na Câmara. A oposição e o Conselho de Ética manifestaram preocupação e repúdio ao que foi definido como uma ''goleada'' aplicada por Queiroz, que conseguiu 250 votos pela absolvição. Votaram na cassação apenas 162 deputados, 95 a menos do que seria necessário para confirmar o relatório do conselho.
''Quebraram uma tradição (de não seguir o voto do conselho). Não posso dizer que abre um precedente, mas é ruim'', declarou o presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP). Também integrante do conselho, Nelson Trad (PMDB-MS) se disse ''muito preocupado'' com ''acertos'' que possam ter ocorrido. Ou seja, PT, PP e PL votariam favoravelmente a Queiroz e receberiam apoio dos petebistas para seus próprios cassáveis.
O líder do bloco de oposição na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), afirmou que ''os números (placar) podem sugerir que houve um acordo''. ''A tendência desses processos tem de ser referendar a decisão do Conselho de Ética. A Câmara cometeu um erro hoje (quarta-feira), o PFL não participou de acordo nem vai participar'', disse.
O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), foi ainda mais duro. Atribuiu o placar do plenário ''a um equívoco'' do presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP). ''Foi um resultado surpreendente, a votação não deveria ter sido realizada num dia atípico, de final de legislatura. Houve um equívoco grave por parte do presidente da Câmara. Foi inoportuna e a sociedade reage negativamente'', afirmou.
Partidários de Queiroz dizem, no entanto, que pelo menos dez integrantes da bancada pefelista (que tem 61 deputados) votaram contra a cassação, uma vez que o processo do petebista guarda semelhanças com o de Roberto Brant (PFL-MG). Ambos receberam dinheiro ''não-contabilizado'' da Usiminas por meio da agência SMPB, da qual o publicitário Marcos Valério foi sócio.
Para escapar, Queiroz teve a ajuda de vários e poderosos ''padrinhos''. Contou com o engajamento do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, também do PTB, que passou a semana telefonando para parlamentares, pedindo votos. Nos anos 90, Guia era secretário do governo de Hélio Garcia em Minas, enquanto Queiroz presidia a Assembléia Legislativa.
Contou ainda com a simpatia do grupo ligado ao governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). Os tucanos mineiros também têm boa relação com Queiroz e estão fragilizados com o envolvimento do senador Eduardo Azeredo (MG) no valerioduto. Contribuiu, além disso, o que foi considerada uma atitude ''humilde'' de Queiroz, que não quis recorrer ao Supremo Tribunal Federal, em contraste com a atitude desafiadora de José Dirceu (PT-SP). ''Ele, de forma inteligente, mandou para todos os deputados uma carta com os elogios que recebeu de integrantes do próprio Conselho de Ética'', disse o deputado Luiz Antônio Fleury (PTB-SP).
O líder petebista na Câmara, José Múcio (PE), afirmou que pesaram os contatos políticos e a biografia de Queiroz. ''A vida política do deputado, que é muito bem relacionado em Minas, foi fundamental. Eu diria que Minas inteira votou com ele. Só aí são 53 votos'', afirmou.
O próprio Queiroz creditou sua vitória a um ''trabalho corpo a corpo''. ''Conversei pacientemente com cada deputado dessa Casa'', declarou.


