Curitiba - O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) presidiu a sessão no Senado enquanto o senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) discursava. Cerca de meia hora depois, Mesquita pegou o posto da presidência e Álvaro discursou por cerca de 40 minutos. E este revezamento durou quase duas horas, no primeiro dia (17 de julho) do chamado recesso branco no Senado. Apenas os dois senadores compareceram e fizeram questão de abrir a sessão e discursar para a TV Senado. E este é um exemplo de como devem ser as sessões no Congresso Nacional em tempos de campanha eleitoral. No Paraná, candidatos que atuam no Congresso justificam as ausências com o argumento de que a campanha faz parte do processo político, assim como viajar pelo Estado faz parte do trabalho parlamentar.
Chama-se recesso branco as sessões não-deliberativas (sem votação) e nelas não são computadas as presenças dos parlamentares e, consequentemente, não há desconto salarial por causa de faltas. O Congresso está aberto em julho porque, como determina a Constituição Federal, não pode parar os trabalhos enquanto não aprovar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do governo federal. Mas está aberto apenas para discursos e não para decisões. E assim também vai ser durante 20 dos 23 dias úteis de agosto e durante 18 dos 21 dias úteis de setembro. Senadores e deputados federais decidiram que vão fazer um esforço concentrado do dia 1º a 3 de agosto e do dia 4 a 6 de setembro para discutir e aprovar tudo que for preciso e ficar com o resto do tempo livre para fazer campanha nos estados.
''A imprensa muitas vezes divulga as notícias como se o trabalho do parlamentar fosse só participar das sessões deliberativas. Há Congressos em outros países que o senador não precisa nem estar na sessão. O fato de estar reunido para ouvir o que as regiões do Estado têm a dizer é mais útil. É uma forma de levar as idéias, propostas para o Senado'', justificou o senador Osmar Dias, candidato ao governo do Estado pelo PDT. ''Quando não tem atividade é menos útil o senador ficar sentado dentro do plenário'', completou. Osmar garantiu que vai participar dos seis dias de esforço concentrado, mas disse que se o Congresso não optasse pelas sessões não-deliberativas ''seria o primeiro a se licenciar, já que não teria como conjugar campanha com o trabalho parlamentar''.
O senador Flávio Arns, candidato ao governo do Estado pelo PT, afirmou que também não é possível conciliar o trabalho no Senado com a campanha eleitoral e defendeu o recesso branco. ''Acho que tem mesmo que ser previsto um calendário diferenciado para que os parlamentares possam enfatizar a campanha.'' Arns também garantiu que vai participar do esforço concentrado e de atividades específicas que devem acontecer fora destes seis dias. ''Acho que tenho obrigação de fazer o que está programado. Nas sessões não-deliberativas vou participar quando houver atividade específica'', explicou. Quanto a tirar licença para tocar a campanha, o candidato do PT defende que é uma decisão pessoal, que no seu caso não seria possível. ''Minha única fonte de renda é a atividade parlamentar'', justificou.
Somente Álvaro Dias, candidato à reeleição, afirmou que pretende continuar frequentando o Senado durante o recesso branco. ''Pretendo fazer campanha só no final de semana. Só não sei se vou conseguir porque as vezes a campanha começa a pressionar'', explicou. A justificativa de Álvaro para continuar indo ao Congresso é porque acredita que ''o trabalho não é só quando há sessões deliberativas, mas sim nos gabinetes e até mesmo no plenário, já que é uma oportunidade para se debater assuntos importantes''. ''Mas no período de eleição não dá para exigir presença mesmo. A campanha é um ato cívico importante'', ressaltou.
Álvaro admite que sua campanha ''já está feita naturalmente''. ''Estou na atividade há bastante tempo. Quem acha que eu mereço voto já sabe e quem acha que eu não mereço também já sabe'', avaliou.

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