O MP (Ministério Público) ouviu três vereadores e um suplente, na manhã de ontem, antes da votação de abertura da CP (Comissão Processante contra Mario Takahashi e Rony Alves. Isso porque o Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa) instaurou procedimento para investigar um suposto favorecimento de parlamentares com cargos indicados no Executivo com intuito de barrar a investigação na Casa.

Foram ouvidos pelo promotor Renato de Lima Castro, os vereadores Jairo Tamura (PR), Roque Neto (PR), João Martins (PSL) e Emanuel Gomes (PRB). "O que se restou aparentemente demonstrado é que alguns vereadores indicaram politicamente pessoas para compor cargos no Executivo, e essas indicações foram muito próximas à instauração dessa CP na Câmara Municipal", afirmou Castro.

Dos quatro ouvidos pelo MP apenas Emanuel Gomes, suplente de vereador, votou contrariamente à abertura de CP. A mulher do Gomes foi nomeada para o cargo de assessora de Políticas para Mulheres na Secretaria de Assistência Social. No caso de Tamura, ele teria indicado o novo secretário de Agricultura, Alexandre Fujita. Martins teria nomeado um ex-assessor de seu gabinete, Raimundo Lázaro, para assumir uma cargo na CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) (CMTU). "Evidente que eles não vão concordar com essa fala (troca de favores) isso é objeto de investigação. O Ministério Público não está emitindo nenhum juízo de valoração, isto é apenas um dever, e dever nós temos que cumprir", reiterou o promotor. Jantares e reuniões fechadas na casa de vereadores também teriam levantado a suspeita do MP.

Emanoel Gomes confirmou que a mulher dele, que é advogada, foi convidada para participar com cargo comissionado na Secretaria da Mulher pelo prefeito Marcelo Belinati (PP), mas alegou que a indicação política não tem relação com o voto sobre Comissão Processante "Eu trabalhei com os dois e são vereadores sérios. Eu votei com minha consciência tranquila. Mas é importante ressaltar que durante todo esse processo eu não conversei com eles dois e nem com o prefeito."

Os demais vereadores negaram combinação de voto, reuniões e troca de favores para evitar abertura de CP. "Nunca existiu nenhuma reunião. Eu voto em consonância com minha convicção e com o meu partido", disse Martins. Roque Neto informou na saída do MP que nunca indicou nenhum cargo ao Executivo. "A cidade merece o esclarecimento e não há nenhuma interferência nesse processo." (colaborou Guilherme Marconi)

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