Parlamentares infiéis se mostram despreocupados
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quinta-feira, 04 de outubro de 2007
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Com base nas teses dos relatores Celso de Mello e Carmem Lúcia, parlamentares paranaenses se mostravam tranquilos - mesmo sabendo que os mandatos podem ser declarados dos partidos. São três deputados federais e três estaduais do Paraná que estão com os mandatos ameaçados, dependendo da decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF).
Até o fechamento desta edição, o julgamento não havia terminado. Cada ministro do Supremo estava lendo seu voto.
Os três deputados estaduais nessa situação são Carlos Simões (que trocou o PTB pelo PR, resultado da fusão do PL com o Prona), Fábio Camargo - que saiu do DEM, ex-PFL, e foi para o PTB - e Geraldo Cartário, que deixou o PMDB e deve ir para o PDT.
Fábio Camargo disse estar tranquilo. Isso porque ele entende que a decisão valeria apenas para quem mudou de legenda depois de 27 de março, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se pronunciou sobre a fidelidade partidária. E ele trocou de partido em fevereiro, portanto um mês antes.
Na opinião de Camargo, a tendência do eleitor brasileiro é votar no político e não no partido. Nesse sentido, avalia Camargo, os partidos serão obrigados a discutir mais programas, caso o STF se posicione a favor da fidelidade.
Já os deputados federais do Estado que mudaram de legenda estão Ratinho Júnior - que trocou o PPS pelo PSC, interessado na Prefeitura de Curitiba -, Airton Roveda (que saiu do PPS e foi para o PR) e Hidekazu Takayama (eleito pelo PMDB, agora está no PSC).
No total, do final de 2006 até setembro deste ano, 46 deputados federais mudaram de legenda. A maior perda foi para a oposição, pois os parlamentares migraram em sua maioria para a base aliada. O governista PR foi o que mais inchou.
No caso da Câmara de Vereadores de Curitiba, 17 parlamentares podem ser atingidos. O presidente, vereador João Cláudio Derosso (PSDB), avisou que cumprirá o que for decidido. O vereador Celso Torquato, que mudou do PMDB para o PSDB em 2005, disse que prefere ficar sem mandato do que voltar aos quadros do PMDB.
Carmem Lucia decidiu que sete mandatos de deputados reivindicados pelo DEM não serão devolvidos à legenda. Como relatora da ação do DEM, que requer a devolução dos mandatos dos deputados do partido que mudaram de legenda, ela afirmou que sete não perdem o mandato porque mudaram de partido antes de 27 de março, quando o TSE decidiu que os mandatos pertencem a partidos e coligações pelas quais se elegeram, e não aos candidatos.


