Deputados de oposição e até da situação elogiaram a manifestação dos estudantes. José Maria Ferreira (PSDB) diz que a invasão do parlamento ganhou ares de legalidade em razão da falta de sensibilidade do governo e de deputados da situação em não ouvir o clamor das ruas. ''Sou um legalista. Mas para que a ordem possa prevalecer, ela precisa exprimir o sentimento da população. Os deputados governistas não seguiram a visão da sociedade. É neste momento que há uma ruptura entre a representantividade e a legalidade.''
''Houve um exagero cívico por parte dos estudantes, que salvou o projeto de iniciativa popular'', afirma Orlando Pessuti (PMDB), que começou a carreira política nos movimentos estudantis. O deputado diz que os estudantes já haviam marcado uma vinda à Assembléia, no dia 14, para protestar contra a tramitação do projeto de Divanir Braz Palma (PST) que defende a cobrança de mensalidade nas universidades estaduais. Pessuti acredita ''que uma coisa ajudou a potencializar a outra''.
Waldyr Pugliesi (PMDB), líder da oposição, disse que ''ilegítima é a invasão da Assembléia da maneira como a polícia fez, botando cães aqui dentro''. ''Os jovens estavam representando o pensamento da sociedade, repercutindo suas comunidades e famílias'', opina Pugliesi, ex-militante estudantil.
Até Basílio Zanusso (PFL), um dos mais governistas da base aliada, evitou muitas críticas ao movimento. ''No regime democrático, toda manifestação tem que ser respeitada, mas o que não pode é quebrar e invadir.'' Em 30 anos de parlamento, Zanusso, que está no oitavo mandato de deputado, não tinha visto uma manifestação como essa.

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