Parlamentares do Paraná brigam para comandar CPIs
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terça-feira, 11 de março de 2003
Maria Duarte<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Numericamente mais fraca, a bancada de oposição ao governador Roberto Requião (PMDB) na Assembléia Legislativa promete buscar amparo do Poder Judiciário numa tentativa de deter a maioria de cadeiras nas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) propostas pelos governistas para investigar o governo Jaime Lerner (PFL). As cinco CPIs continuam emperradas na Casa, por falta de consenso sobre quem serão os presidentes e os relatores das CPIs da Copel-Sercomtel, Banestado, Jogos Mundiais da Natureza, pedágio e Paranacidade.
Na sessão de ontem à tarde, a discussão esquentou no plenário entre o primeiro-secretário, Nereu Moura (PMDB), e o líder da oposição, Durval Amaral (PFL). Esse foi mais um capítulo da novela que se tornou a instalação das comissões. Agora, a situação tem um problema sério nas mãos. As três CPIs compostas por sete membros pedágio, Paranacidade e Jogos da Natureza correm o risco de ficar sob o controle da oposição, que teria quatro integrantes.
É que a oposição tem apenas seis dos 54 deputados mas, como a composição das CPIs deu vaga a todos os partidos, isso gerou uma distorção que deu à oposição quatro dos sete membros na CPI do Pedágio, por exemplo. Os nomes e o jogo de forças, porém, ainda podem mudar. Como não houve consenso para eleger os presidentes, que tradicionalmente são os autores das CPIs, a composição final só deve sair hoje.
Moura está tentando reverter o predomínio da oposição nas três CPIs. Ontem, apresentou um requerimento aumentando de sete para 11 o número de integrantes. Essa estratégia, segundo Moura, devolveria ao governo a maioria, já que os quadros da oposição são exíguos. Amaral protestou logo em seguida. ''Estamos preparados para qualquer tentativa de golpe por parte do governo. Temos as atas (de criação das CPIs) e vamos para a Justiça se houver qualquer tentativa de mudar o número de membros'', declarou Amaral a jornalistas.
A análise do requerimento de Moura ficou para a sessão de hoje, mas Amaral aposta em um acordo antes. ''Não queremos CPIs que virem pizza, queremos CPIs que mostrem serviço'', avisou o peemedebista.
Segundo o líder do governo, Angelo Vanhoni (PT), as cinco CPIs serão instaladas hoje e, se não houver fechamento de questão sobre quem serão os presidentes, a decisão será no voto, como manda o Regimento Interno. Cada comissão elegerá seu presidente. E o presidente, por sua vez, deve costurar um acordo para indicar o relator.
O novo impasse na criação das CPIs foi agravado ontem pelo fato de o presidente da Casa, Hermas Brandão (PSDB), não ter participado da reunião pela manhã, que definiria os presidentes junto aos líderes dos partidos. Brandão teve um mal-estar, causado por labirintite, segundo informações de seu gabinete, e por isso não presidiu a sessão de ontem.
As CPIs do pedágio, Jogos da Natureza e Paranacidade são as com menor número de integrantes. A do Banestado tem 11 membros, e a da Copel nove.


