Parlamentares dizem não ter o que comemorar
Curitiba - Parlamentares oposicionistas e da chamada "bancada independente", entretanto, analisam os últimos 12 meses de outra forma. "Foi um ano extraordinário, que dificilmente se repetirá, espero eu e espera toda a população paranaense. A minha avaliação de primeiro mandato na Casa é que eu esperava uma Assembleia mais combativa, mais séria no seu propósito de fiscalizar e legislar. E, infelizmente, temos hoje uma Assembleia que funciona como office boy da sala do governador. Tudo aprovam e nada se discute. Infelizmente, eu fiquei decepcionado nesse aspecto. Mas acredito ter feito um bom trabalho, ter participado das lutas que importaram e ter escolhido o lado certo dessas discussões", opinou o vice-líder da oposição, Requião Filho (PMDB).
"Sinceramente, com raras exceções, acho que foi um ano ruim, de muito pouca produtividade. Aliás, isso me incomoda muito. Nós tivemos seis meses de problemas no Estado, especificamente na questão dos servidores públicos um embate duro, que machucou", disse Paranhos (PSC).
Mesmo tendo apoiado a reeleição de Beto, ele votou contra o "pacotaço", por considerar importante verificar o porquê da necessidade dos ajustes. "Aumentar imposto não e o único instrumento. Estamos vendo que a população está cansada de ser a vítima sempre. Existem os desmandos, a incapacidade, a irresponsabilidade e a inoperância e joga-se para o povo pagar a conta", criticou.
"Foi um ano de muita dificuldade, em parte para ser esquecido, mas também de aprendizado", afirmou Tercílio Turini (PPS). De acordo com o londrinense, não faltaram recomendações para evitar o massacre de 29 de abril. "Votamos no refeitório. Houve a invasão do pátio e poderia ter havido também a invasão daquele local, estreito para subir, acanhado. Apesar disso, o governo insistiu com a reforma na ParanaPrevidência e se estabeleceu o maior confronto da história (da AL). Lá fora as bombas explodindo e aqui dentro a gente votando um projeto que tirava benefícios. E não foi só esse. Na virada do ano (passado), o governo também pediu autorização para pegar os recursos dos fundos. Foi uma série de medidas para compensar a má gestão dos quatro anos anteriores."
Líder do PMDB, Nereu Moura tem opinião semelhante. "Vivemos um momento de grande ebulição aqui, principalmente na greve dos professores e com a derrocada do governo Beto Richa. Um governador que começou o ano com 75% de aprovação terminou com 80% de rejeição. Então, foi uma mudança de 180 graus. Para mim, esse foi o ápice de tudo o que vivemos aqui na Assembleia aprovação do pacotaço de maldades, do projeto que permite ao governador sacar dinheiro da Previdência dos servidores públicos e por aí afora. Não tivemos coisas boas para comemorar, na verdade." (M.F.R.)





